Olha, eu não sei dizer exatamente... assim, ao mesmo tempo que é muito normal como conviver com qualquer outra pessoa, com altos e baixos, também tem o lado de que essa pessoa é uma pessoinha sem moral e julgamentos que depende dos seus pra se adaptar ao mundo ao redor. E isso pesa muito... pesa porque se você parar pra pensar, isso é uma coisa boa, que todos desejam, mas não, sabe? Ninguém quer ser julgado, cobrado ou algo assim, mas como mãe você cai nessa condição e não é tão legal assim... não é porque nessas, das duas uma, ou você fica noiada que ele vai aprender tudo de você então você precisa de mais auto-controle do que você já teve na vida toda... ou você vai se permitir comportamentos que você nunca teria com mais ninguém.
Na verdade estou falando isso porque hoje eu fiz uma coisa que eu nunca fiz, e pensando a respeito, me liguei que só fiz isso porque era com o Linus, por conta disso tudo que acabei de falar e depois me arrependi, sei lá... as consequências não são legais. Enfim, o caso é que o Linus jogou um caminhãozinho de madeira no meu pé descalço e eu fiquei puta porque doeu desgraçadamente e peguei o brinquedo e joguei longe e ele se espatifou. Depois o Linus chorou muito e muito confuso e soluçando e gaguejando foi recolhendo as partes e me dando, como se eu fosse milagrosamente juntar tudo de novo... foi triste, mas ao mesmo tempo eu só fiquei meu pasma com a minha reação e estou pensando nisso até agora... sabe, ele anda jogando coisas e batendo com as coisas na gente e não adianta muito falar que não, no máximo adianta tirar das mãos dele a troco de choro e segurar-lo pra ele não dar tapas na gente com as próprias mãos... daí há aquele pensamento de que se ele ver uma reação dessa ele vai entender que dói, que faz mal de alguma maneira agredir alguém. Péééé! Errado, muito errado, porque só por hoje eu já pude ver que ele ficou ainda mais frustrado e quis bater muito mais, como se aquela cena toda estivesse mostrando que quando nos sentimos mal, temos o direito de destruir alguma coisa. Daí fiquei pensando nessa minha derrapada maternal... por quanto tempo isso vai ecoar no comportamento dele, se vai passar ou vai ser um desses comportamentos subconscientes que temos pelo resto da vida... é, eu vou muito longe! Sou muito preocupada com a maneira de mostrar a ele como se relacionar com o mundo e eu sei que eu mesma não sou um sucesso social! Tenho problemas que nem eu sei dizer e não queria que ele tivesse tantos quanto eu.
O caso é que maternar não tem manual, isso que eu fiz, pra mim significou muita coisa, pra outra mãe pode ser corriqueiro... e isso não quer dizer que o filho de um ou de outra vai ser uma pessoa melhor ou não, tanto porque as variáveis são tantas e a gente acha que tem algum controle, mas tem tão pouco! Quantas pessoas conhecemos que cresceram na mesma casa, são indivíduos tão diferentes entre si?
Acho que o difícil é a nossa relação com o que nos comprometemos, com o que idealizamos e não exatamente nossa relação com nossos filhos... a relação com os filhos é fácil, difícil é lidar com nossos monstros pessoais. Toda dificuldade brota de nós mesmos e não do outro. Será?
sexta-feira, 1 de junho de 2012
terça-feira, 29 de maio de 2012
Passeio semanal
Eu finalmente tomei vergonha na cara e elegi um dia da semana pra sair com o Linus, com companhia ou não, frio ou sol, nós vamos ao parque.
É fácil mas não é, fazendo isso eu mato a soneca da tarde dele e isso pode se tornar um problemão a noite, como aconteceu da primeira vez que ele ficou acordando de 40 em 40 minutos a noite inteira! Sim, se bobear isso acontece com a gente e não precisa de muito! E tirar a soneca lá é outra coisa que ele não faz, já tentei, mas o parque é muito mais interessante que o cansaço dele. Da última vez ele dormiu no ônibus no caminho de volta, as 17h (detalhe que a hora de dormir dele é as 19h30 - outro problema rs)
Mas por conta de priorizar demais a rotina de sono dele nós quase não saímos de casa pra passeios desse tipo e eu estava sentindo falta de sair, ver gente, sabe? Ir no mercadinho não conta!
Acabei decidindo ir a tarde porque assim ele almoça direitinho e é mais fácil lanchar fora que almoçar e de qualquer maneira ele também tira soneca de manhã, então de qualquer maneira ele ia perder uma soneca.
A nossa sorte é que moramos perto do Parque da Juventude, ao lado do metrô Carandiru, que é uns 20 minutos de casa, de transporte público (considerando a caminhada em passos de Linus). Antes eu considerava ir no horto florestal, mas é mais longe, achei que ia me cansar demais (e ia mesmo). Eu não botava muita fé nesse parque, vendo de fora ele parecia meio vazio, sem sombras, só o cimento... mas engano meu! Ainda bem! Na real, é um parque bem legal... tem uma biblioteca com um espaço para bebês com vários livros legais, pufes e mesinhas e cadeirinhas, tudo na altura dos pequenos... tem também fantoches, teatrinhos e bonecos de dinossauro. E quando o Linus começa a encher o saco é só sair que tem todo o resto do parque... lá fora tem 2 parquinhos que ele não gosta muito, mas tem areia pra ele cavar, que ele adora... tem também pontes, caminhos entre as arvores e entre as ruínas que ele sempre faz questão de passar... lá na outra ponta do parque tem várias quadras sempre ocupadas com muita gente jogando basquete, futebol, vôlei e tênis e também uma pista de skate que ele também adora assistir... e o mais legal de tudo pra ele é uma estátua de peregrino sentado! Ele senta do lado, quer sentar no colo, quer dar comida... acho muito engraçado! Ele sempre lembra e que ficar um tempinho sentadinho lá, rs.
Sobre banheiros e trocadores eu não sei dizer porque nunca usei, sei também que tem poucos bebedouros e o restaurante é um tristeza de ruim, os piores salgados e pão de queijo que já comi! Mas eu sempre levo o lanche de casa, então tudo bem ;)
No fim das contas o Linus nunca brincou com outras crianças lá porque quase nunca tem bebês e crianças durante a semana, mas só o passeio mais longo, num lugar diferente onde acontecem coisas diferentes já vale muito a pena. Ter contato com a civilização faz parte do nosso exercício de saúde mental! rs
Eu chego cansada porque várias vezes tenho que pegá-lo no colo, subir a ladeira na volta com ele e a mochila... mas ainda sim, vale a pena. ;)
Recomendo.
É fácil mas não é, fazendo isso eu mato a soneca da tarde dele e isso pode se tornar um problemão a noite, como aconteceu da primeira vez que ele ficou acordando de 40 em 40 minutos a noite inteira! Sim, se bobear isso acontece com a gente e não precisa de muito! E tirar a soneca lá é outra coisa que ele não faz, já tentei, mas o parque é muito mais interessante que o cansaço dele. Da última vez ele dormiu no ônibus no caminho de volta, as 17h (detalhe que a hora de dormir dele é as 19h30 - outro problema rs)
Mas por conta de priorizar demais a rotina de sono dele nós quase não saímos de casa pra passeios desse tipo e eu estava sentindo falta de sair, ver gente, sabe? Ir no mercadinho não conta!
Acabei decidindo ir a tarde porque assim ele almoça direitinho e é mais fácil lanchar fora que almoçar e de qualquer maneira ele também tira soneca de manhã, então de qualquer maneira ele ia perder uma soneca.
A nossa sorte é que moramos perto do Parque da Juventude, ao lado do metrô Carandiru, que é uns 20 minutos de casa, de transporte público (considerando a caminhada em passos de Linus). Antes eu considerava ir no horto florestal, mas é mais longe, achei que ia me cansar demais (e ia mesmo). Eu não botava muita fé nesse parque, vendo de fora ele parecia meio vazio, sem sombras, só o cimento... mas engano meu! Ainda bem! Na real, é um parque bem legal... tem uma biblioteca com um espaço para bebês com vários livros legais, pufes e mesinhas e cadeirinhas, tudo na altura dos pequenos... tem também fantoches, teatrinhos e bonecos de dinossauro. E quando o Linus começa a encher o saco é só sair que tem todo o resto do parque... lá fora tem 2 parquinhos que ele não gosta muito, mas tem areia pra ele cavar, que ele adora... tem também pontes, caminhos entre as arvores e entre as ruínas que ele sempre faz questão de passar... lá na outra ponta do parque tem várias quadras sempre ocupadas com muita gente jogando basquete, futebol, vôlei e tênis e também uma pista de skate que ele também adora assistir... e o mais legal de tudo pra ele é uma estátua de peregrino sentado! Ele senta do lado, quer sentar no colo, quer dar comida... acho muito engraçado! Ele sempre lembra e que ficar um tempinho sentadinho lá, rs.
Sobre banheiros e trocadores eu não sei dizer porque nunca usei, sei também que tem poucos bebedouros e o restaurante é um tristeza de ruim, os piores salgados e pão de queijo que já comi! Mas eu sempre levo o lanche de casa, então tudo bem ;)
No fim das contas o Linus nunca brincou com outras crianças lá porque quase nunca tem bebês e crianças durante a semana, mas só o passeio mais longo, num lugar diferente onde acontecem coisas diferentes já vale muito a pena. Ter contato com a civilização faz parte do nosso exercício de saúde mental! rs
Eu chego cansada porque várias vezes tenho que pegá-lo no colo, subir a ladeira na volta com ele e a mochila... mas ainda sim, vale a pena. ;)
Recomendo.
sábado, 19 de maio de 2012
Pequenas declarações de amor
Outro dia eu estava no quintal estendendo a roupa no varal e o Linus tava lá mexendo numas pedrinhas... daí eu nem tava olhando muito e ele começou a parar na minha frente pra chamar atenção estendeu as mãozinhas pra eu pegar três floresinhas que ele colheu pra mim! Daí eu peguei, agradeci e coloquei em cima da bancada e ele ficou puto, indignado! "Eu te dou presente e você larga em qualquer lugar?"- certeza que ele pensou isso! - daí eu peguei de volta e coloquei no bolso e ele ficou feliz! "Agora sim, o presente tem que ficar com você!"
Só amor!
Só amor!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
E a vida profissional?
Acontece que eu nunca tive uma de fato.
No ensino médio fiz curso técnico de design de interiores e trabalhei com isso por um mês, se é que dá pra dizer que trabalhei... era um escritório e eles me contrataram como estagiária, mas eram 2 pessoas trabalhando lá e eles saíam assim que eu chegava e eu só os via no dia seguinte, eu passava a maior parte do tempo na casa deles que era no fundo, eu, a empregada, a babá e o bebê. Eu era a menina que atendia o telefone, que quase não tocava. Como era péssimo, eu saí.
Nessa mesma época trabalhei numa loja de cds/ dvds e outras coisas, como vendedora. Mas eu não vendia nada, era dessas lojas que as pessoas pegam o que querem e vão pro caixa, mesmo assim eu era café com leite, não tinha repertório musical ou o que seja, eu ia lá pra conversar e ganhar alguns trocados. Depois me mandaram embora, eu e uma renca, a loja não tava rendendo o esperado.
Depois eu encarei o vestibular, queria fazer arquitetura, mas passei em artes, que era segunda opção. Daí fui eu pra Unesp (uh! Olha a pressão da universidade pública! Pressão só de quem olha de fora, claro.)... achei ruim, tipo bem ruim mesmo, eu acostumada com o ritmo de ver as coisas acontecerem de uma forma ou de outra, caí numa eterna enrolação sem fim e aparentemente sem propósito (ainda não achei esse aí). Algumas poucas aulas foram boas, e de uma certa maneira, até certo ponto era bom porque eu usava os ateliers, que não eram lá grande maravilha, sempre com mil empecilhos da instituição, mas eu consegui fazer alguma coisa, mas pra mim era muito desanimador porque eu me achei na cerâmica, estava muito envolvida naquilo, mas as queimas eram terríveis e demoravam meses pra acontecerem e pra quem não sabe, cerâmica sem uma boa queima não é nada. E eu nada aprendi de queima... ou qualquer conhecimento mais minucioso... e isso foi me brochando demais.
Nesse meio tempo conheci o Henrique, lá mesmo, daí a gente colou um no outro, várias coisas aconteceram e eu engravidei e continuei indo pra faculdade, pra fazer nada. Pra ver as pessoas, vai, pra não dizer nada... porque é pra isso que serviu, lá era uma grande sala de encontros, que também não rendiam muita arte em si. rs. Mas era legal... o problema é que era das 8h as 18h, agora me diz se dá pra ficar de enrolação tanto tempo? Até dá se você não tem mais nada pra fazer na vida... mas depois do Linus, ah minha gente, definitivamente, absolutamente (como diria Lola, de Charlie e Lola) não dá. Eu suspendi o último ano e pra quem perguntava eu dizia que a minha matrícula estava lá e eu poderia suspender até 2 anos, o que não é nenhuma mentira. Mas a verdade é que eu não volto. Não volto porque sei que não vou ser professora em escola alguma, não vou trabalhar em museu ou coisa parecida e muito menos virar pesquisadora (incompatibilidade, eu definitivamente não me encaixo no mundo acadêmico rs). Daí, pra que fazer? Ainda mais artes?
Mas e aí? Vai ser mãe social? (Sabia que existe essa profissão? Descobri ontem). Não, não vou ser mãe social e acho que as possibilidades de ocupação na vida não estão todas ligadas ao ensino superior ou coisa similar... e é o meu caso, a faculdade me trava, me brocha. Eu tenho muita vontade de estudar sim, mas de outro jeito, com outro foco e eu já sei o que gosto de fazer, no que eu sou boa fazendo... e está tudo muito bem preservado pra hora que eu tiver mais tempo e me sentir bem em conciliar minha vida de mãe com a minha vida de artista, ou como quiserem chamar. Eu gosto de botar a mão na massa, ver funcionar, ver acontecer! Quero fazer sem ter que inventar uma mentira conceitual o tempo todo, saca?
Sei lá... isso é só pra desabafar que a minha vida não vai pro saco porque não terminei a faculdade e virei mãe. Faculdade nunca garantiu nada pra ninguém, e eu também não quero ter um trabalho que eu odeie, se eu tenho a opção de fazer do jeito que me satisfaz, assim vai ser.
E pra quem nunca viu nada do que fiz nesses tempos:
minha página no flickr
ainda é pouco, mas já é um começo.
No ensino médio fiz curso técnico de design de interiores e trabalhei com isso por um mês, se é que dá pra dizer que trabalhei... era um escritório e eles me contrataram como estagiária, mas eram 2 pessoas trabalhando lá e eles saíam assim que eu chegava e eu só os via no dia seguinte, eu passava a maior parte do tempo na casa deles que era no fundo, eu, a empregada, a babá e o bebê. Eu era a menina que atendia o telefone, que quase não tocava. Como era péssimo, eu saí.
Nessa mesma época trabalhei numa loja de cds/ dvds e outras coisas, como vendedora. Mas eu não vendia nada, era dessas lojas que as pessoas pegam o que querem e vão pro caixa, mesmo assim eu era café com leite, não tinha repertório musical ou o que seja, eu ia lá pra conversar e ganhar alguns trocados. Depois me mandaram embora, eu e uma renca, a loja não tava rendendo o esperado.
Depois eu encarei o vestibular, queria fazer arquitetura, mas passei em artes, que era segunda opção. Daí fui eu pra Unesp (uh! Olha a pressão da universidade pública! Pressão só de quem olha de fora, claro.)... achei ruim, tipo bem ruim mesmo, eu acostumada com o ritmo de ver as coisas acontecerem de uma forma ou de outra, caí numa eterna enrolação sem fim e aparentemente sem propósito (ainda não achei esse aí). Algumas poucas aulas foram boas, e de uma certa maneira, até certo ponto era bom porque eu usava os ateliers, que não eram lá grande maravilha, sempre com mil empecilhos da instituição, mas eu consegui fazer alguma coisa, mas pra mim era muito desanimador porque eu me achei na cerâmica, estava muito envolvida naquilo, mas as queimas eram terríveis e demoravam meses pra acontecerem e pra quem não sabe, cerâmica sem uma boa queima não é nada. E eu nada aprendi de queima... ou qualquer conhecimento mais minucioso... e isso foi me brochando demais.
Nesse meio tempo conheci o Henrique, lá mesmo, daí a gente colou um no outro, várias coisas aconteceram e eu engravidei e continuei indo pra faculdade, pra fazer nada. Pra ver as pessoas, vai, pra não dizer nada... porque é pra isso que serviu, lá era uma grande sala de encontros, que também não rendiam muita arte em si. rs. Mas era legal... o problema é que era das 8h as 18h, agora me diz se dá pra ficar de enrolação tanto tempo? Até dá se você não tem mais nada pra fazer na vida... mas depois do Linus, ah minha gente, definitivamente, absolutamente (como diria Lola, de Charlie e Lola) não dá. Eu suspendi o último ano e pra quem perguntava eu dizia que a minha matrícula estava lá e eu poderia suspender até 2 anos, o que não é nenhuma mentira. Mas a verdade é que eu não volto. Não volto porque sei que não vou ser professora em escola alguma, não vou trabalhar em museu ou coisa parecida e muito menos virar pesquisadora (incompatibilidade, eu definitivamente não me encaixo no mundo acadêmico rs). Daí, pra que fazer? Ainda mais artes?
Mas e aí? Vai ser mãe social? (Sabia que existe essa profissão? Descobri ontem). Não, não vou ser mãe social e acho que as possibilidades de ocupação na vida não estão todas ligadas ao ensino superior ou coisa similar... e é o meu caso, a faculdade me trava, me brocha. Eu tenho muita vontade de estudar sim, mas de outro jeito, com outro foco e eu já sei o que gosto de fazer, no que eu sou boa fazendo... e está tudo muito bem preservado pra hora que eu tiver mais tempo e me sentir bem em conciliar minha vida de mãe com a minha vida de artista, ou como quiserem chamar. Eu gosto de botar a mão na massa, ver funcionar, ver acontecer! Quero fazer sem ter que inventar uma mentira conceitual o tempo todo, saca?
Sei lá... isso é só pra desabafar que a minha vida não vai pro saco porque não terminei a faculdade e virei mãe. Faculdade nunca garantiu nada pra ninguém, e eu também não quero ter um trabalho que eu odeie, se eu tenho a opção de fazer do jeito que me satisfaz, assim vai ser.
E pra quem nunca viu nada do que fiz nesses tempos:
minha página no flickr
ainda é pouco, mas já é um começo.
sábado, 12 de maio de 2012
Nossa amamentação
Quando estava grávida não me informei sobre amamentação, nem pensei muito a respeito... pra mim era óbvio que ele ia mamar no peito e nem considerei mamadeiras... e acabei ganhando 10, e não usei nenhuma. Não sabia muito de histórias de outras pessoas nem nada, no máximo da história de ter pouco leite, de que às vezes dói... e assim segui até o Linus nascer e logo ele veio pro meu peito e doeu bastante, mas suportável, mas já no segundo dia saíam pedaços de pele do meu mamilo e em mais um dia meu peito encheu de tal maneira que eu sentia pesar a coluna, sentia meu peito quente e duro que nem pedra, e eram, pedras de leite! Tive mastite e achando que tinha pegado uma gripe, por isso a febre e o mal estar! Nossa, ninguém nunca me contou que amamentar poderia ser tão tão tão desesperador, confuso e dolorido! Mas ainda assim, pra mim não fazia sentido não amamentar meu filho com esse leite que é dele, especialmente pra ele, sempre fresco, sempre quente, sempre limpinho (e grátis). Eu amamentava e ainda amamento em livre demanda e a cada mamada era uma mistura de felicidade por ele mamar no meu peito e desespero pra que acabasse logo porque doía demais, eu chorava, me contorcia, sentia calafrios e uma gastura daquela linguinha lambendo meu mamilo. Gente! Eram 40 minutos que eu queria bater minha cabeça na parede e mesmo assim, nunca passou pela minha cabeça dar fórmula de leite, sei lá, se eu tinha um perfeito alimento pra ele, porque dar uma mistura artificial que custa os olhos da cara e faz ele ter dor de barriga? Enfim, nisso comecei a pesquisar e vi que tinha um encontro no GAMA pra falar sobre amamentação e foi uma diretora de um banco de leite e lá falamos sobre verdades e mitos e aprendemos a ordenhar nosso leite. Ah, se eu tivesse ido lá antes dele nascer, ia ser tudo mais fácil, eu não ia deixar chegar a mastite e talvez conseguisse fazer o Linus fazer a pega certinha (coisa que ele não faz até hoje, mas hoje não faz mais diferença porque calejei!). Continuamos firmes até hoje e eu senti doer até uns 4 meses. Nisso muita coisa aconteceu... aconteceu que ele chorava muito e eu acabei fazendo a tal da cama compartilhada pra pode ter algum descanso e ele sempre plugado pra dormir... e por um bom tempo foi bom e sossegado e um alívio pros dias de doença ou que ele não comia bem, eu me sentia e ainda sinto que estou garantindo algo a mais pra ele, sem contar a parte do afeto e intimidade que temos... e depois de tanto ler e falar sobre amamentação, eu me imaginava amamentando até os 2 anos e sonhava com um desmame natural, que eu acho bem legal na real... mas tem sido difícil, porque ele ainda hoje acorda de 2h em 2h pra mamar e em dias ruins como ontem, em intervalos de 40 minutos e eu não dou conta, sinto que tem dias que ele mama mais e meu peito não tem mais leite suficiente pra acalmar ele e ele fica indo de um pra outro e cutucando ambos e isso me irrita demais, irrita mesmo! Se ele mamasse lindamente como nas propagandas e dormisse bem ou razoavelmente bem, seria tranquilo seguir, mas não é assim, rs. Por conta disso decidimos desmama-lo nas próximas férias do Henrique, a noite ele não vai ter mais o te dele, pra que eu possa descansar decentemente... e reaprenda a dormir sozinha, porque eu não sei mais! E vai ser completamente desesperador, ele vai gritar, chorar se esguelar, coisa que eu não conseguiria jamais suportar há alguns meses atrás, mas hoje, sinto que é necessário pra nós todos, porque nem ele mesmo consegue dormir no peito, mas é o único jeito que ele sabe. E nós precisamos de sonos mais contínuos e eu e menos cutucação madrugada adentro.
Amamentar é sim uma coisa linda apesar de tudo, mas nem tudo sai do jeito que a gente romantiza, são sempre duas pessoas nua relação delicada e nós temos que guiar da melhor maneira possível e é difícil, bem difícil, eu sempre digo que é infinitamente mais difícil que parir, e pra mim é mesmo. Mas é natural tanto quanto parir e eu não me imagino não amamentando um filho meu, assim como não imagino não conseguir parir meu filho. E não é conversa de sacrifício ou heroísmo não, é só o rumo natural das coisas!
sábado, 21 de abril de 2012
Blogagem coletiva sobre infância e consumismo
Escrito pelo Henrique (o pai) ;)
Brincando de ter
Lutar contra o consumismo é tarefa árdua de vida inteira, contra vícios e confortos.
Ele é cultural antes de tudo, uma escolha feita por nossos pais para nós e consequentemente nossa para nossos filhos. Selamos pelos nossos pequenos o contrato com esse modo de vida, na esperança de garantir à eles uma vida com segurança e conforto. Ninguém tem direito de condenar isso.
A responsabilidade dos reguladores do consumo é enorme tratando disso.
Desde o momento que a publicidade deixou gradualmente de ser informativa para ser emocionalmente apelativa, as crianças viraram alvo fácil. A expressão “mais fácil que roubar doce de criança” deveria ser mudada para “mais fácil que vender doce pra criança”...
Desde que o bacuri aqui de casa nasceu, percebi como ele é puro coração. Toda criança é, para o bem e para o mal. Se ela for atingida certeiramente por imagens alucinantes associando uma canetinha qualquer à aventura diversão ou status social, ela vai acreditar nisso. Consequentemente os pais serão atingidos, pois o sentimento de “prover” é imediato (o mesmo sentimento que nos leva à assinar metaforicante o contrato com consumismo, rs)... não que eu ache que seja impossível negar, mas ouvir o filhote pedindo algo, mexe em algo profundo e ancestral dentro dos sentimentos familiares... São muitos sentimentos em jogo, das crianças e dos pais. Isso é muito sério.
A propaganda no geral opera na lógica do “você é o que você tem”. Isso sendo inchuminado na cabeça de uma criança, que PRECISA ser socialmente aceita, por ser dependente e frágil , é no minimo desastroso. Com isso não é de se estranhar que “ter” virou em si uma diversão. Brincar com o objeto desejado não é objetivo. Comprá-lo basta. Só que essa é uma diversão muito curta e rápida, que precisa de repetidas doses, num circulo vicioso de carência sem fim.
Um adulto supostamente tem condições psicológicas de lutar contra isso, mas uma criança não. Ela precisa demais da gente para se dar ao luxo de negar nosso modo de vida, ela não tem essa independência.
Sob pretextos esdrúxulos como “liberdade de expressão” a publicidade luta contra as tentativas de regulamentar sua abordagem nos pequenos. Não é a liberdade de expressão que está em jogo, mas sim a responsabilidade de expressão. Vivemos teoricamente num estado de responsabilidade social, os comunicadores trabalham sob concessão estatal. Eles têm SIM responsabilidade sobre seus conteúdos e sobre a formato deles.
Outro argumento comum é que a responsabilidade é dos pais. Que devem educar seus filhos à consumir o necessário à uma vida confortável, sem se render aos inofensivos apelos da propaganda. Isso é absurdo. A propaganda hoje é viral, ela se espalha por qualquer midia disponível. Para impedir que o Linus deseje, sei lá, um liquidificador do correspondente futuro ao Ben 10, eu precisaria criar em torno dele cordão de isolamento parrudo, mantê-lo sob forte vigilância, impedi-lo inclusive de conversar com os colegas, selecionar seus amigos, já que a propaganda é tão cultural que praticamos ela diariamente, pagando por isso ainda por cima. Essa vida num faz sentido para mim. Não acho aceitável manter meu filho numa bolha moral só porque os comunicadores estão dispostos à qualquer coisa pra vender a mais nova quinquilharia.
Para se imunizar de tudo isso só resta tapar os olhos, os ouvidos e a boca.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
A pequena invasora.
Hoje de manhã apareceu uma invasora muito folgada aqui em casa, sorte a dela que ela era fofa. Uma gatinha filhote que não se abalou nada nada com a gente, nem espantando, nem pegando no colo, nem com as gatas donas da cada, nem com o Linus! E ele adorou correr atrás dela e pegar no colo, coisa que ele sempre tenta com as outras e nunca consegue! Como já falei aqui, ele é doido com os bichinhos, tipo a Felícia... e nem assim a menina se abalou, parecia que já era de casa... será que ela vai ficar visitando?
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