quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sobre deixar de ser casal e reaprender a ser somente eu

O que é deixar de ser um casal com filho, pra então sermos dois solteiros com filho em comum?

Então 2014 foi o ano das separações dentro do nosso círculo social, meu e dele... Muitos de nossos amigos casais se tornaram solteiros, e não só amigos, como amigos de amigos, conhecidos... Por aí vai. Pode ser algo que gire em torno dos 30 anos, pode ser acaso, pode ser que não. Mas nós fomos parte desse movimento. Após seis anos juntos, quatro deles como mãe e pai, decidimos então nos separarmos.

A princípio foi algo calmo e decidido com muita razão, cabeça fria apesar dos pesares. No fim das contas a coisa desgastou, não éramos felizes juntos como desejávamos ser e sentíamos que era só mais um passo adiante que precisávamos dar pra continuar essa longa caminhada da vida.

( pausa aqui: não quero entrar no mérito de tomar lado algum nem vou entrar em méritos de dizer o que foi, o que não foi e tudo o mais)

Onde eu queria chegar é:

O que é estar solteira depois de tantos anos casada e ainda por cima, ser mãe de uma criança pequena?

É algo comum, mas não leio muito sobre isso, não escuto muito sobre isso... Parece um universo meio obscuro.

E de fato é, é tão complexo que nem eu mesma sei dizer.

Deixar de ser um casal de longa data é uma brusca mudança que requer muita força de vontade, porque de alguma maneira isso vai mexer em nossa estrutura... Estrutura aquela que era apoiada em mais alguém e agora estamos aqui, por nós mesmas. É estranho no começo se segurar pra não manter o ritmo de sempre, de falar como foi o dia, de falar de novas descobertas, de falar que viu algo mais barato no supermercado... Ou qualquer coisa que costumava ser cotidiano dos dois. Mas também é estranho ter tantas novidades que só acontecem porque você não é mais um casal... Coisas que mundo nos permite ou nós mesmas nos permitimos... E a base de tudo: se redescobrir indivíduo!

E pode doer o que for, e com certeza dói. Mas depois da alma lavada em lágrimas e dores, resta aqui um olhar de volta a mim mesma, me obrigando a olhar quem fui, quem sou e quem quero ser. É um exercício diário, minuto a minuto... Eu não me preocupo com ele, com o julgamento, com o acolhimento a ele, nem com as tarefas do dia a dia que eu sustentava em conjunto... Agora sou eu e eu. É a partir de agora que eu me organizo com meus sonhos, meus projetos nessa vida... E reaprender a me dar prioridade... E como ser prioridade de mim estava distante, e eu nem percebia! Foram anos e anos de diluindo em dois, em três... E sair disso assim: só o bagacinho!  E parece tão difícil tirar a essência desse sabor que sou eu e transformar num sabor único! Mas quando a magia acontece... Nossa! Que felicidade! Que leveza! Que satisfação! 

É aqui que estou. 

Mas então sou também um potencial explosivo de mil vontades acumuladas! Mas eu tenho uma criança comigo... Eu não sou mais quem eu era, quem eu achava que ia encontrar nesse retorno a mim mesma... Ser mãe é nunca mais ser a mesma que um dia fui. Preciso ter cautela, driblar minhas vontades, retomar o que tenho de melhor e fazer em conjunto com o que ganhei de experiência nesses anos... E preciso ponderar, pensar quais caminhos valem mais a pena, mesmo não sendo mais casal, sou ainda dois: eu e meu filho. E a ele devo uma responsabilidade além do que me era comum. Eu não posso fazer o que quero na hora que quero, as loucuras são ponderadas, e mesmo a vontade de prosperar deve ser homeopática... Eu preciso ter tempo pra ele, com ele... Tempo de qualidade: conversar, acarinhar, dar banho, comida... Cuidar do nosso lar.

Ser solteira e mãe me permite vivenciar universos quase paralelos, tudo junto ao mesmo tempo: meu lado mãe e meu lado jovem mulher adentrando o que dizem ser os melhores anos femininos: os 30.

É confuso as vezes. Mas é lindo. Eu nunca me sinto sozinha, apesar de solteira. 
E com o modelo de separação surgem momentos rotineiros em que posso estar só comigo, ter meus respiros, meus momentos de concentração no que eu quiser. E isso, como mãe casada é quase uma luta diária... Honestamente, é uma das melhores coisas em deixar de ser casal!

Já tenho alguém a quem cuidar, o que não me deixa espaço pra relacionamentos confusos: meu filho está aqui e é a ele que concentro meus cuidados. Deixo aos outros, que me divirtam, no mínimo... Sem chororôs, por favor! A vida está clara e o riso solto... E assim pretendo ficar!

E nesse meio tempo, aprendo que eu mesma sou prioridade de mim, me reenergizo, movimento pessoas, projetos, sonhos e desejos... Não orbito em torno de uma ideia a dois, eu sigo em frente pra conhecer o mundo que deixei pra trás, no meu ritmo, do meu jeito.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Linus é um menino de 4 anos!

Dia 5 de outubro Linus completou 4 anos. 4 anos, minha gente, como passa rápido. Quando eu tinha 14 anos 4 anos não passavam nunca, mas agora, passou que nem deu pra perceber esse tempo passar.

No dia mesmo, foi um dia comum, pro azar dele eu acordei com uma mega enxaqueca e a gata quis nos acordar as 5h30 da manhã, o que gerou um estresse e um surto da minha parte, pra prosseguirmos o sono na base da dipirona. E só muito mais tarde eu lembrei que era aniversário dele, coitado. Rs.

Tentamos passar o dia numa boa, com uma dose extra de paciência com ele e pizza no jantar, foi bem tranquilo, tentamos cantar parabéns pra ele e ele não deixou, acho que pra ele parabéns é só com bolo e brigadeiro!

Na quarta-feira, fizemos a festa toda. Do jeito que ele quis, onde ele quis e com quem ele quis. Sério, já não é mesmo um bebê, já tem amigos que ele chama pelo nome. Se antes as festas era mais nossas que dele, porque era só os nossos convidados, essa era só de convidado dele. Foi praticamente só a turma da escola e da natação, logo depois da aula, num playground que tem em um shopping aqui em Ubatuba, onde os amigos ele já haviam feito a festa deles antes.

Ele chegou na festa com sua coroa roxa feita na escola, tão feliz que parecia que ia chorar, me deu um abraço e foi brincar! E brincou quase a festa inteira, ele e os amigos todos. Teve bolo colorido com desenho de arco íris e o nome dele escrito com confeti. Teve brigadeiro de copinho e paçoquinha. Suco de uva, água e salgadinhos. E claro o parabéns, ele parecia travado tamanha a emoção na hora do parabéns. Assoprou as velinhas e pegou o primeiro pedaço do bolo pra ele.

Decoramos com o tema arco íris que ele pediu e muito papel crepom, tudo pra máxima cafonice! Mas até que ficou um charme!

Linus aos quatro anos já é um rapaz! Já dorme sem ma mãe, já dormiu só com o pai, com os avós, já passou quatro dias longe de mim, a turma dele já está começando um a dormir na casa do outro e logo menos é ele e eu tenho certeza que não terá crises! Que orgulho dele, ele que dava tanto trabalho pra dormir, agora já parece tão resolvido com o sono!

Ele já conversa, explica, lembra a gente de outros momentos e outras conversas, as conversas fazem sentido! Propõe assuntos, atividades e combinados.

Ainda tem um lado bebezão também, ainda não toma banho sozinho, ainda pede,pra dar comida, apesar de várias vezes comer sozinho. Ainda,precisa da gente pra amarrar os cadarços, mas já sabe fechar e abrir os botões.

E algumas coisas são muito claras, a gente sabe que não era fase. Ele é apegado as regras dele, as rotinas dele, coisas que só fazem sentido pra ele, mas se sai do plano, que sofrimento. E sim, ele sofre profundamente com muuuuuita coisa, não era fase, é dele mesmo, é nitidamente um sofredor, frustradíssimo, não lida bem com mudanças repentinas e quando os outros não seguem as regras dos adultos, ou as regras da cabeça dele. Flexibilidade emocional não é o forte desse menino.

E por ser assim, já vizualizo a dificuldade que ele vai ter na vida. Além de ser canhoto e um menino mega delicado, tinha que ser ofendido rs. Bom é que ele é determinado, justo e afetuoso. Ele sempre tenta apartar a briga dos amigos,manter a ordem nos espaços, muitas vezes leva a bronca junto porque geralmente as professoras ou cuidadores, ou quem seja que esteja por perto no meio de tanta coisa acontecendo, acham que ele está no meio da briga junto. Num geral, ele é um amor.

A vida social dele evoluiu absurdamente aqui em Ubatuba, a escola o recebeu muito bem, ele fez amizade com todas as crianças, eles são muito unidos, ele consegue se encontrar com a turma fora da escola. Eles tem assunto, sentem saudades, fazem festa quando se encontram! É muito bacana ver isso acontecer, é a grande novidade desse ano que passou. Antes, apesar de todo meu esforço, ele nunca conseguia ter amigos desse jeito, e estou muito feliz por ele.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A segunda experiência

Em torno das quatro semanas e meia o embriãozinho parou de se desenvolver... Em torno das seis semanas (pelos meus cálculos) ou oito semanas (pelo cálculo padrão pela última data da menstruação) eu comecei a sangrar. Houve, quem dissesse que era nidação, e ainda quem dissesse que era ficar em repouso que tudo ficaria bem, a gravidez prosseguiria. Mas ao ver o ultrassom e essa incompatibilidade, eu ja sabia, era aborto.

Ao contrário da outra vez, essa eu pude acompanhar com mais consciência, consegui perceber o que havia acontecido e isso me deixou mais calma com o processo todo. Era uma gestação anembrionada, não havia nada dentro do saco gestacional e ele simplesmente parou ali, em quatro semanas. E, naturalmente o corpo entendeu e mandou pra fora.
Os médicos daqui de Ubatuba são muito mal preparados, ou mal atualizados, ou sei lá o quê. No posto onde estava acompanhando o pré-natal disseram que eu deveria fazer uma curetagem (procedimento cirúrgico para retirar qualquer vestígio de gravidez de dentro do útero, é usada anestesia e um tipo de "raspagem" manual uterina) com urgência, ninguém me deu diagnóstico de nada, ninguém se preocupou em me explicar nada, além do fato de que eu iria com certeza ter uma infecção e perderia meu útero. Precisei de atestado médico, por conta de trabalho, e se recusaram, me deram uma guia para a curetagem apenas. E ainda falaram pro Henrique me convencer a ir, porque eu estava alterada.

No hospital, o médico quis me internar para tomar medicação e repouso. Quando questionei a diferença gestacional e a possibilidade real de ser um aborto, pela análise de ultrassom, ele não me disse nada. Quando questionei o que aconteceria se de fato se concluísse em aborto, ele disse que eu seria levada para a curetagem, e essa era a única opção. 

Como eu já tive outra experiência com aborto, sem curetagem, eu sabia que essa não era a única opção. Questionei, pedi um atestado médico, as medicações que ele disse que eu tomaria no hospital mesmo. Consegui apenas 5 dias para ficar em repouso em casa e fui embora. Em casa realmente fiz repouso e tomei medicação, era o que dava pra ser feito. Ficar internada não era uma opção. Nunca consideraria ficar num lugar estranho, sozinha e sem ter com quem conversar numa situação em que tudo que precisamos é ter calma e sentir acolhimento... E no meu caso ainda ficar preocupada com o Linus, que ficaria triste em casa sem entender nada. Cara, isso não é uma opção, ainda mais sabendo que eles iam me mandar pra sala de cirurgia, de qualquer jeito.

Fiquei em casa, pesquisei muito sobre aborto, sobre curetagem, li relatos, li textos da organização mundial de saúde, li até um livro sobre procedimentos cirúrgicos no sistema reprodutor feminino. E só consigo pensar que os médicos daqui não sabem o que estão fazendo.

Passado dois dias dessa ida ao hospital, meu corpo expeliu o que restava, sem dores, sem dificuldades, um pedaço inteiro do que eu acho que era a placenta. E nessa quarta feira, fiz outro ultrassom e tudo estava de acordo, útero limpo, já em período fértil. E esse é o normal. O corpo feminino está apto a expelir sangue,  coágulos e bebês, em condições saudáveis e naturais e procedimentos cirúrgicos são colocados como primeira opção desconsiderando a nossa natureza. Desconsiderando que todo procedimento cirúrgico traz também muitas reações desagradáveis e consequências que muitas vezes prejudicam o paciente. Por isso só devem ser feitas quando não temos outras opções. 

A curetagem por exemplo coloca a mulher em espera por três meses antes de tentar engravidar novamente, quando num processo natural, a mulher pode engravidar logo em seguida. Em alguns casos a curetagem pode ser mal indicada como em casos de endometrite e só piorar a condição de saúde. Sem contar o peso de uma anestesia, que é uma invenção salvadora, mas convenhamos que não é um procedimento suave e tranquilo... Muito pelo contrário, e se há possibilidade passar sem isso, eu com certeza escolho passar sem isso. Tenho certeza que eu ia ser daquelas pacientes que ia passar muito mal com os efeitos da anestesia e recuperação. Porque, se eu tomar café eu já fico claramente alterada, quem dirá uma anestesia.

É preciso dar um tempo, alguns dias, pro corpo responder, pra tudo voltar aos eixos e, com acompanhamento adequado é possível passar por isso sem traumas a mais, porque perder um filho já é um trauma por si só. No meu caso então, que já estava no meio do caminho pra expelir tudo, não tinha porque acelerar ainda mais o processo. Pelo menos pra mim, não há sentido. Eu sabia que ia dar tudo certo. E deu.

O Linus ficou confuso, ainda não processou o que aconteceu, diz pros amigos que ainda vai crescer um irmão forte na minha barriga, que vai nascer. Isso deixa a gente sem chão... Ele parece querer muito esse irmão. E mesmo vendo o sangue, o embrião, ele ainda não assimilou... E de fato não faz muito sentido, não é o caminho que a gente espera... E ele continua na espera desse bebê.

Sobre passar por abortos de repetição, cada um traz uma experiência diferente, a primeira de sofrimento e incompreensão. Essa de tomar controle de mim mesma diante a postura médica e estudar, entender, me defender. Nem sobrou muito tempo pra lamentar, minha energia foi quase toda a buscar mais e mais informações para fazer o que eu acredito ser melhor pra mim, para a minha família. Não que não tenha sido triste, mas ainda que triste, eu consegui olhar pra tudo isso com mais clareza, e isso tornou o processo mais fácil emocionalmente, comparado ao primeiro.

E também ter essa segunda experiência me fez repensar sobre duas outras menstruações fora de padrão que aconteceram ano passado, me questiono se não foram outros abortos, muito precoces que não identificamos. Eu sinto que sim, apesar de não haver exames clínicos que comprovem.

E agora entramos em um novo momento que eu nunca pensei que fosse passar, ir em busca de conhecimentos sobre a fertilidade de nossos corpos, analisar tudo e controlar meus ciclos dia a dia, fazer exames, essas coisas que a gente nunca pensa que vão acontecer com a gente.

Mas de qualquer forma, penso que podemos ganhar com isso, ganhar mais conhecimento e quanto mais conhecimento sobre nós, diante da medicina, melhor ficaremos pra nos posicionar, nos defender... A impressão é que, em quanto mais médicos passo, mais eu confirmo o quanto eles não são bons em explicar o que acontece com a gente, nem sabem lidar com os questionamentos e com certeza tratam mulheres de maneira desrespeitosa, ao resumir todos os nossos embates e questionamentos como raiva, frustração, nervoso, e qualquer outro sintoma emocional derivado de alterações hormonais. Porque assim parece, mulher doida, vc está frágil porque está na tpm, ou passando por aborto, ou porque está grávida... Ou simplesmente porque mulheres são assim e não vamos discutir com vocês.

Pra que raios uma mulher quer questionar tanto né? 
Só indignação com os médicos. Com a medicina... Mas isso é discussão pra outra hora.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Homens são todos iguais... São mesmo?

São todos iguais, ou são todas as mulheres iguais a terem as mesmas péssimas expectativas deles? Ou o extremo oposto, a super bajulação por eles fazerem nada menos do que deveria ser obrigação deles como indivíduo perante a família?

Uma coisa muito comum de ser ouvida como queixa sobre maridos e companheiros é que homens são todos assim... Eles não se preocupam previamente em ter comida na mesa e reclamam já na hora do almoço que não tem comida feita, eles acham que podem ficar dias sem fazer nada em casa porque fizeram uma instalação de armário, arrumaram uma bagunça do quintal ou coisa que o valha. Eles não percebem quando as cuecas estão em falta na gaveta até o fatídico dia em que, após o banho, não tem sequer uma cueca limpa na gaveta e nem no varal, não percebem quando a dispensa está esvaziando e não sacam a criança manhosa porque precisa de atenção, seja por fome, tédio ou sono... E ainda reclama pra mãe ir lá fazer algo a respeito... Homem é tudo assim, precisa chegar do trabalho e dar uma relaxada, enquanto a mãe, que também trabalhou o dia inteiro precisa sair correndo em meio a preparação do jantar pra ir buscar a criança voltar e ainda terminar o jantar - e fazer ainda alguma coisa a respeito da criança manhosa. E claro, se a criança é manhosa, é culpa da mãe.

Essa história é muito, muito comum.

Mas não é exatamente essa coisa de homem é tudo igual que é a verdade... Acho que a verdade é que as mulheres permitem essa posição machista, os homens são acomodados por serem criados pelas famílias dessa forma ( porque convenhamos que homens adultos de hoje dificilmente foram criados muito diferentemente, os pais eram exatamente esse modelo de pai que acha que ir trabalhar fora basta, e aceito pelas mães). É um hábito rançoso e mal resolvido.

É preciso um bom senso, uma vergonha na cara desses homens de ver que isso não é bem assim. E coragem das mulheres de bater de frente sobre essa questão.

Não é justo uma família ser concebida conjuntamente e depois tudo pender pra um lado só. São dois adultos com capacidades iguais de trabalhar e pensar juntos a rotina que é dos dois. E não só rotina, mas valores, responsabilidades e alegrias também.

Se você, mulher, parar para listar todas as atividades que você faz, e todas que o seu companheiro faz, provavelmente vai ver que você tem muito mais responsabilidades e trabalho do que seu companheiro e vai ver também que ele possui mais tempo de recreação para si mesmo do que você. E se vocês tem filhos, não precisa nem lista, você sabe que o que eu digo é um fato. Salvo raras excessões.

Uma coisa que eu acho que pode ser feita em qualquer família é listar tudo que é feito na rotina de vocês e alternar quem faz o que. É importante, como cuidado próprio, como decência humana, você saber se virar sozinho, saber cozinhar, manter alguma higiene na casa, saber lavar a própria roupa, minimamente. Muitos homens não lavam roupas ou fazem comida, mas é preciso deixar que eles façam, nem que seja a força, pra eles valorizarem o que eles tem em casa, na vida... Mas principalmente pela esperança de brotar ali, uma sementinha de satisfação própria em ir construindo em si um ser independente e pró ativo com sua própria vida... Porque sério, a casa é dos dois, a comida é dos dois, tudo e compartilhado, então as tarefas, com seus lados bons e ruins, deve ser dividida. Cozinhar pode ser uma descoberta prazerosa pra quem nunca sequer tentou cozinhar, por exemplo.

Permitam que as funções mudem, que o companheiro seja companheiro de verdade e cobre por isso. Quando vocês decidiram se unir como família, como pai e mãe, decidiram juntos. Então caminhem juntos, pelo bem dos dois, para que os dois se valorizem mutuamente!

E para os pais, preciso dizer, a única coisa que você não pode fazer pelo seu filho é amamentar. De resto você é capaz de tudo, então se vire e faça tanto quanto sua mulher. Dê banho, leve a escola, faça a comida dos pequenos com antecedência, lave as roupinhas, troque as fraldas, verifique se falta alguma coisa pra comprar, brinque, leia historinhas, coloque pra dormir, leve ao médico, vá à reunião da escola! E se sua mulher ajeita a mesa pra você comer, tomar café que seja. Faça por ela tambem. Se você não o faz, tá faltando vergonha na cara. E não me venha com essa história de que trabalha fora... Alguma hora livre existe, tenho certeza.

E, se você homem, faz tudo isso, que bom, você faz o que é sua responsabilidade também! Mas não merece nenhum parabéns por isso, só no dia em que todas as mulheres receberem por fazerem tudo que elas fazem diariamente.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A DPP era 9 de maio

Pra quem não sabe, DPP significa data provável de parto.

Ano passado, em setembro, descobri que estava grávida. Era uma gravidez planejada, diferente da primeira, que foi muito querida, mas foi sem programação alguma.

Como eu já sabia mais sobre maternidade e parto, eu já sabia onde faria o pré-natal, onde ele nasceria, se tudo corresse bem. Escolhemos a Casa Ângela, que é uma casa de parto muito bacana na zona sul de SP. Mas para começar tudo lá, era necessário fazer uma visita para apresentação, e marcamos para o último sábado do mês, que era a data mais próxima que poderíamos ir nós 3, eu, Henrique e Linus. Então, no dia 28 (meu aniversário inclusive) fomos lá visitar e gostamos ainda mais do lugar e logo menos eu começaria o pré-natal.

Na semana seguinte, fiquei ocupada com o aniversário do Linus, que seria no sábado seguinte, sem contar os encaminhamentos finais do meu TCC  e trabalhos finais na faculdade. E acabei adiando um pouco mais o início do pré-natal, por isso e por ainda estarmos decidindo como iríamos pagar as consultas e tal.

No sábado, comecei a ter um sangramento, como sabia que era algo comum nas gestações e muitas vezes não significa nada grave, resolvi não alarmar ninguém sobre isso e não fui ao hospital no mesmo dia, decidi que iria no dia seguinte assim que acordasse, afinal era a festa de aniversário do pequeno e muita gente nem sabia que eu estava grávida também.

Na manhã seguinte, já estava nos planos ir ao hospital, e na minha primeira mexida na cama, desceu uma enxurrada de sangue, fui correndo ao hospital, levei o café da manhã na mochila e lá demorei a ser atendida, era troca de turno dos médicos. Quando fui atendida, a médica me examinou e logo disse: seu colo do útero está aberto, você vai fazer um ultrassom para ver se precisa de curetagem. Puf! Meu mundo caiu por alguns instantes... Liguei pra casa, avisei o Henrique e ele logo veio com o Linus. Houve uma confusão no hospital, não estavam deixando eles entrarem, mas no fim das contas conseguirmos nos encontrar e lá longe e eu vi o Linus me chamando em lágrimas na recepção:

-Mãe! Mãe! Cadê o bebê?

Nos abraçamos, choramos... Falei que eu não sabia, que ele tinha virado sangue. (E por muitos meses ele falava do bebê sempre que eu menstruava). Fiz o ultrassom, não havia mais vidinha, a vidinha que eu nem cheguei a escutar o coraçãozinho uma vez sequer.

Foi um dia, uma semana, um mês muito difícil.

O Linus chegou a ter febre, ficamos tristes.

Eu sangrei do dia 05/10 até o dia 16/11 quase que ininterruptamente, foram 31 dias com algumas pausas de poucos dias. Nesse meio tempo tive 2 amidalites, dismenorréia, muita febre e muita dor pelo corpo, principalmente nos ossos, passei dias de cama e ao mesmo tempo preocupada com as minhas faltas na faculdade, afinal, eu estava mal, mas não para um médico me dar um atestado de 15 dias. Quando parei de sangrar meu corpo respondeu ao processo com um corrimento desgraçado, que parecia que eu estava em carne viva, precisei ficar de cama porque andar doía... Encarei uma dieta com zero carboidratos, que me ajudou no corrimento e assim que fiquei melhor, voltei as aulas. Nesse dia, senti calafrios, tremedeira, tontura, dor de cabeça e mais um monte de coisas estranhas que já não lembro mais, e lá estava eu, voltando pra casa da faculdade, com o menino no carrinho, mochila, e toda a tralha que eu levava sempre, no metrô barra funda, sozinha. Foi bem ruim e era a falta de carboidratos! Comi um pãozinho que tinha levado para o Linus e segurei a onda. Deixei o menino na escola e consegui chegar em casa. Fim da dieta, marquei consulta na nutricionista e na microfisioterapia.

E a vida continuava.

TCC, faculdade, fim de semestre, entrega de trabalhos, não poder faltar pra não bombar por faltas, com o menino junto, todo dia.

Não conseguia falar com meu orientador, que lá pelo fim também ficou internado por alguma infecção, houve falta de compromisso de um professor convidado para a banca, incompatibilidade de datas, já que as minhas eram restritas ao sábados... Todo problema que poderia haver, houve, quase troquei de orientador dias antes da defesa. E nessas idas e vindas pra resolver isso fui me sentindo muito cansada. No fim, consegui apresentar e finalizar o semestre.

Os planos de ter mais filhos ficou pra depois.

O plano agora era mudar de casa, pra Ubatuba, o Henrique foi e voltou várias vezes, nos ocupamos de empacotar coisas em casa, de tentar achar nova moradia antes de vencer nosso contrato vigente... Mais correria e mais correria. E mais histórias bizarras pra contar desse envento... Que ano difícil, mas conseguimos nos mudar logo no início de fevereiro.

Eu não contei pra muita gente que fiquei grávida, e tampouco sobre a perda do bebê, muita gente cruzou comigo sem saber o que estava acontecendo. Pra todo mundo eu estava igual a sempre, acho.

Mas decidi compartilhar, porque muita gente passa por abortos e é bem difícil lidar com isso, mais difícil ainda quando se tem outros pequenos em casa. Pelas minhas pesquisas, dscobri que cerca de 30% dos óvulos fecundados acabam em aborto muito cedo, muitas vezes até confundidos com menstruação. E é um assunto tão guardado, as vezes a gente só queria ter alguém pra dividir o peso, pra dizer que já viveu isso, que passa, que a vida segue. Que fosse sincero, e não mais uma conversa pronta. 

A sensação de falta de controle pra mim foi devastadora, eu achava que eu era muito boa em gestar e parir, visto pela minha expêriência com o Linus... Mas a vida no útero é ao mesmo tempo frágil e forte. E nós, mães, não podemos fazer muito a respeito. Se por algum motivo, não era pra eles ficarem com a gente, eles não ficam. E não há justificativa científica que possa confortar. O negócio é aceitar e esperar passar. Qualquer justificativa é uma idéia vaga do que pode ter acontecido, e os porquês nunca tem resposta.

E hoje de manhã, nessa data, depois de tanta coisa, tantos altos e baixos, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Justo hoje, na DPP do outro beibe.

Não sinto a emoção que senti em nenhuma das descobertas anteriores, eu sinto a presença de uma vidinha, com menos de um mês já tenho até barriga. Mas parece estranho me alegrar com algo que pode acabar em um monte de sangue novamente. É quase como se não fosse, pelo medo de perder. Como se isso só fosse se tornar real depois do parto.




terça-feira, 11 de março de 2014

Mudando de casa mais uma vez.




O Linus tem quase 3 anos e meio e essa já é a terceira casa que ele mora. Ele nasceu em um apartamento em São Paulo, depois, pouco antes de ele completar um ano de vida, nos mudamos pra uma casa em São Paulo também e agora, na verdade mês passado, nos mudamos pra uma casa em Ubatuba.

Sempre conversamos sobre morar fora de São Paulo e por diversos motivos, decidimos vir pro litoral. No trabalho, o Henrique vinha conversando sobre trabalhar em casa havia um bom tempo e isso finalmente aconteceu e assim que conseguimos, nos mudamos. Foi trabalhoso e cansativo, muitas idas e voltar entre SP e Ubatuba pra escolher a casa, e tudo mais. E tudo de ônibus... Eu ficava em casa com o Linus e o Henrique ia, na maioria das vezes... E essas vezes foram boas pra ele já ir se situando na cidade que a gente ainda nem conhecia.

Com a ajuda de amigos e do meu irmão, nos mudamos... Pela primeira vez contratamos uma transportadora que empacotou boa parte das nossas coisas (eu indico muito esse serviço pra quem vai se mudar, empacotar o que não é de uso diário é ok, mas empacotar o que se usa todo dia na véspera da mudança com uma criança é pedir pra ficar louca). Rolou um problema na entrega pois o caminhão não pode passar por um determinado pedaço da estrada, mas lá pelas 1h da madrugada tudo estava na casa nova, finalmente. E foi muito cansativo...

Mas sobre as coisas boas: nos sentimos em casa desde o começo, quanto mais conhecemos a cidade, mas gostamos de morar aqui. Pela primeira vez, andar de bicicleta se tornou um hábito, aqui o meio de transporte das pessoas é a bicicleta, sem dúvidas.

Conseguimos organizar a casa de um jeito agradável, onde os quadros nossos e que ganhamos de amigos pudessem ser vistos, já que na casa anterior isso era meio complicado. Os ambientes tem espaço suficiente pra caber cada coisa no seu lugar! Nada mais em lugares estranhos! 

O Linus ganhou um quarto decorado por nós, com as cores que ele pediu, com ondas e tudo mais... E ele também fez uma pintura na parede, com guache... Tudo bem que ficou quase tudo da mesma cor, mas foi bem legal ver ele pintando, melecando a mão inteira na parede! Ele também ganhou uma casa de papelão que fiz com as caixas da mudança... Que eu ainda preciso terminar...




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E até que ele se adaptou bem, nas outras mudanças foi diferente porque ele ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo, pra ele eu estar do lado bastava pra ele se sentir em casa, agora um menino, ele já tem outra noção das coisas. Nós havíamos conversado com ele sobre a mudança muito antes, falamos que íamos morar perto da praia e assim que ele chegou na casa, já veio avisando que não tinha areia, que não era casa da praia... E como tudo demorou pra chegar, ele só foi ver a casa com móveis no dia seguinte ( sorte que nosso amigo Gustavo trouxe um colchonete, que foi onde o Linus dormiu).

Ao longo da semana, ele comentou sobre ir embora pra outra casa, mas nada demais. O que eu mais percebi de mudança foram os xixis no chão. Ele, que nunca errava começou a fazer xixi várias vezes no chão... Acho que também tem a ver com a falta de atenção da nossa parte, visto que passávamos muito tempo colocando a casa em ordem e deixávamos ele meio de lado... Mas ele já parou, inclusive agora, se estiver sem cueca ( o que acontece bastante porque aqui é muito quente), ele senta sozinho no vaso sanitário (sentado ao contrário) e faz sozinho...

Uma mudança legal que aconteceu foi a relação dele com a praia... Ele sempre teve muito nojinho da areia (como eu!) e muito medo do mar. Agora como vamos a praia pelo menos uma vez por semana, ele já perdeu muito do nojinho e agora vai entrando no mar sem medo nenhum... Aliás ele fica eufórico de tanta alegria!

Nossas gatas se adaptaram bem, soltamos elas no mesmo dia e elas ficaram por perto... Ficaram com uns tiques de querer arranhar os que nunca arranharam antes, mas nada sério. O mais chato é que uma delas decidiu fazer cocô no chão... E não pára de fazer isso nunca, mas essa gata sempre teve hábitos bizarros em relação a isso.

A mudança maior é ter o Henrique por perto sempre que, por mais que esteja trabalhando, tem o horário mais flexível e podemos fazer mais coisas juntos, ou revezarmos em algumas tarefas. De qualquer maneira, ter companhia em casa é sempre legal, pra mim e pro Linus.

Falando em companhia, ainda não fizemos amizades por aqui... Nem nós, nem o Linus. Tentamos matriculá-lo na escola pública, mas tem fila de espera e a particular que gostamos é muito cara pra pagarmos agora nesse momento de transição. Mas assim que eu conseguir um trabalho, ou a porto seguro devolver nosso dinheiro (do seguro fiança da outra casa) isso muda.


Num geral acho que essa foi a mudança mais legal que fizemos... E acho que tem sido legal pro Linus também. 

:)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma transição, um pezinho meninão, um pezinho bebezão.

Linus tem 3 anos e 3 meses agora. E já tem uma independência de menino maior.

Outro dia comi um mamão que não tava lá muito bom e fiquei passando mal, vomitei até não ter mais nada e diarréia idem, fiquei jogada na cama incapaz de fazer qualquer coisa e estávamos só nos 2 em casa. De manhã, ele pegou alguma coisa pra comer, liguei a TV e larguei o menino, eu mesma mal consegui sair da cama, nem as janelas abri, não fiz nada mesmo. Até que liguei pro Henrique voltar pra casa porque não tava dando não. Enfim, nisso o menino fez xixi sozinho no penico sem nem me chamar... respeitou meu repouso e se comportou muito bem. Quando foi chegando a hora do almoço ele veio falar comigo que queria suco e eu não falei nada pra ele, nisso, ele lembrou do suco que eu tinha feito na noite anterior e que sobrou e ele mesmo foi na cozinha, abriu a geladeira, pegou o suco, fechou a geladeira,  abriu o copo  e tomou (isso tudo eu estava escutando de longe). Depois ele voltou lá e trouxe bananas e comeu do meu lado.

E esse mesmo menino que parece não precisar mais de mim, tem momentos de chorar como um bebezinho, por qualquer coisa, porque quer colo, porque está com saudade de mamar. Deita como um bebezinho no meu colo e diz que não é grande, que é pequenininho. Ainda quer que eu dê comida na boca dele, de manhã, as vezes faz a maior cena porque quer que eu segure o pão pra ele comer. Diz que tem medo de alguma coisa só pra eu dar a mão, diz que está com saudade de mim o tempo inteiro. E me chama de mamãe passarinho (de verde e de amarelo).

Outro dia eu estava acompanhando ele no banheiro e sentei do lado do vaso sanitário e ele começou a mexer no meu cabelo... e ele começou a falar: é tãããão liiindo, é tãããão liiindo o seu cabelo... - e depois arrumou meu cabelo pra trás e me deu um beijo na testa: você é tããão boniiita. Saiu do vaso, limpamos e ele sentou do meu lado, falou que eu tinha que falar que eu era bonita e cada um de nós falamos: eu são tão bonita/ eu sou tão bonito.

Ele também tem momentos em que quer fazer tudo sozinho, ele coloca os ingredientes, ele mistura, ele mede, ele lava, ele  monta, ele conserta e ai de quem atrapalhar os planos dele. E também tem o extremo oposto, que não quer fazer nada.

Ele ainda tira a soneca da tarde e continua brigando pra não dormir... e se não dorme fica enjoado pra tudo, vê problema em tudo, se a água não está no nível certo e temperatura certa é uma das coisas mais comuns que ele implica quando está com sono e é disso pra pior, coisas que a gente realmente não consegue compreender e que esgota a nossa paciência.

As conversas tem ficado cada vez melhores, ele já sabe recontar uma história com alguma lógica, fala coisas com muita clareza do que está falando e argumenta bem. Quando tem alguma comida no prato que ele não quer, ele diz que não é boa pra ele e que é boa pra mim... e fala pra eu comer rs. E não entende quando eu digo que ele é um palhaço, fica bravo e diz que não é palhaço, que o Linus.

E ele já deixa eu cortar as unhas dele quietinho, pra mim isso é uma grande evolução! rs

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O desfralde!

Confesso que isso era um dos desafios que eu achava que teria mais dificuldade na maternidade, eu realmente não estava a fim de ficar limpando xixi e cocô de criança pela casa, ainda mais nessa casa que moro agora, que dificulta tudo, quem já veio aqui em casa, sabe... água que cai em cima, vaza pelo chão e cai lá embaixo... piso de madeira que na real é o teto lá de baixo.

Por conta disso eu nunca me apressei nem só em idéia nesse processo... afinal, me desanimava só pensar a respeito.

Nós até já tínhamos comprado penico e adaptador, mas ele usava de chapéu, até sentava, mas era só brincadeira, e ficou assim por um ano mais ou menos. E ele também sempre nos viu indo ao banheiro mas não parecia fazer questão de imitar a gente.

Daí que esse ano, algumas vezes ele fez cocô no penico por iniciativa própria, pois queria fazer no meio do banho e não queria continuar o banho no caldo de cocô e ele acabou fazendo no penico sem nenhum estresse. Mesmo assim eu não engatei o desfralde...

O que aconteceu esse ano também é, que por ele estar me acompanhando na faculdade, nós passávamos muito tempo fora de casa, então isso era um empecilho pra começar um desfralde, e eu já começava a pensar num desfralde pra essas férias, afinal, o menino completou 3 anos em outubro e 3 anos é uma idade boa pra isso.

Chegou novembro e a professora dele comentou que outros coleguinhas estavam desfraldando e perguntou se eu queria começar, daí, assim que eu entrei de férias (que eu até antecipei uma semana por conta própria), começamos o desfralde, na última semana de novembro.

No primeiro dia, ele errou 3 vezes em casa e mais uma na escola. Ele não ligou de usar a cueca, mas também não avisava e ainda dizia que era mais fácil na fralda.

No segundo dia, eu me empolguei pra fazer uma tabelinha, pra ele preencher com adesivos e a história mudou!

A foto tá ruim, mas essa é a tabela (hoje toda cheia de adesivos)

A idéia era que ele ganhasse um adesivo pra cada acerto de cocô ou xixi, e no final, faríamos um passeio pro zoológico. Quando contei pra ele, ele ficou encantado com os adesivos e não deu a mínima pro passeio... disse que a gente já tinha ido e não era pra ir (e até agora não quer ir, vai entender).

No dia seguinte, ele já parou de fazer xixi no chão. Ele queria ficar sentado no penico por muuuito tempo, tipo 30 minutos pra mais, até conseguir, pra ir lá ganhar o adesivo, fazíamos muita festa e ele colava o adesivo.

Na escola ele fez no chão de novo, mas acho que era muita pressão na escola, todos indo juntos, sem distrações, num assento maior.

No outro dia ele continuou fazendo no penico em casa, ainda ficando bastante tempo e na escola ele segurou até eu chegar na escola, pra ele fazer comigo do lado, no banheiro da escola mesmo, Deu tudo certo nesse dia.

O dia seguinte era um sábado e ele ficou com o pai o dia todo pra eu fazer um curso. Ele fez xixi no chão duas vezes.

E daí pra frente ele engatou de vez, já era férias da escola e começou a ficar o tempo todo comigo. Começou a avisar certinho tanto pra xixi quanto pra cocô e sem muita demora. Agora é sentar e fazer, rapidinho.

Outra coisa legal é que ele consegue segurar um pouco até chegar ao banheiro. Já saímos com ele e ele agüenta segurar até chegar no banheiro e até viajamos com ele pra praia e ele segurou a viagem toda. Não teve nenhum problema com o controle do xixi e cocô, aliás, as vezes, ele segura até demais... todo dia de manhã ele vai fazer o primeiro xixi lá pelas 10h. Isso porque o último que ele fez foi no dia anterior... lá pelas 19h.

E sobre desfralde noturno? Bom, no início eu fiquei com medo de xixi na cama... mas ele mesmo não queria colocar a fralda, colocamos por 2 dias e nunca mais, e até agora não rolou nenhum na cama.

Acho que foi um sucesso!

Fazendo as contas:

Eu limpei 3 xixis
O pai limpou 2 xixis
E a faxineira da escola limpou mais 2.

E foi só isso!

Ah! Legal também que ele não se abala de ir do penico, pro vaso sanitário, nem mesmo sem redutor, fora de casa dando apoio com as mãos, ele vai que vai.

Fico muito feliz e aliviada que foi tranquilo!

Melhor coisa mesmo é esperar!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Linus e seus 3 anos.



O Linus completou 3 anos dia 5 de outubro! Êêêêêê!

Estou achando uma lindeza essa idade porque, apesar dos pesares, ele tem falado cada vez mais, criado cada vez mais pensamentos mais complexos, juntados pedaços de idéias e construindo um discurso muito particular dele e eu acho tudo incrível.

E nesse último ano muita coisa aconteceu! Quando eu acho que as mudanças vão diminuindo, vem ele e me surpreende de novo! Por isso é tão legal acompanhar de perto o crescimento dos pequenos.

Hoje em dia ele já sabe falar se tem fome, se tem sede, o que quer comer ou beber, já sabe onde as coisas ficam guardadas, já sabe o que tem dentro da geladeira... pede pra fazer as coisas que ele quer e algumas ele mesmo sempre faz questão de ajudar a fazer.

Por exemplo, hoje de manhã não tinha pão feito (aqui em casa fazemos pão caseiro graças a nossa querida máquina de fazer pão) e falei que íamos assar pão de queijo. Ele que estava acordando ainda, abriu o armário, pegou o pote que eu costumo usar quando faço pão de queijo caseiro, e já começou toda uma movimentação de quem ia começar a preparar uma receita... daí eu mostrei que estava congelado e ele já foi escolhendo a forma que ia ser usada, esperou eu untar e foi arrumando os pãezinhos... quis colocar a forma no forno, parte que é mais chata porque mesmo que eu fale que é quente e queima, ele quer fazer tudo... tem que dar uma contornada, falar pra ele me passar a forma, que eu coloco lá dentro e mesmo assim ele não fica satisfeito. E seguindo o café da manhã comendo outras coisas, ele lembra sempre de perguntar se está pronto.

Ele sempre gosta de fazer o suco de limão, naqueles espremedores... enfim, tem várias coisas que ele já quer fazer e insiste em fazer sozinho, muitas vezes fala bem sério pra gente: eu que vou fazer, você não vai!

Mas também, tem os momentos opostos, em que ele não quer fazer nada, quer que eu dê o chá na boca dele, que eu segure o pão pra ele comer, que eu leve no colo e várias outras coisas que eu nem lembro!

Ele está falando muito melhor, ainda enrola em algumas palavras, mas já dá pra entender e ao mesmo tempo fala de um jeito muito fofo! Sem contar as frases e o jeito que ele solta elas!

Ele também entrou na fase de definir o que é dele e o que é dos outros, pra ele o ideal é que cada um tenha o seu, caso não dê pra ser assim, ele insiste que as coisas são dele... e ele não diz "é meu, é minha", ele diz "é de mim".

Inclusive, várias vezes ele pergunta: alguém pega aquela alguma coisa de mim?

Aí fica meio difícil, mas é muito fofo.

Outra coisa sem pé nem cabeça que ele fala é ficar discursando, narrando fatos que ele viu em outro momento ou em um desenho, como se estivesse acontecendo realmente naquela hora... daí do nada ele diz: óia mãe, a mãe dela tem uma blusa azul e ela virou um urso!

A gente só ri... porque não tem nem muito o que falar!

Às vezes, quando ele não quer que a gente fale com ele, porque ele não quer falar sobre um assunto, ele  começa a cantar lálálálá ou manda: pára de falar comigo. Super cheio de não me toque, fala com a minha mão! Imagina com 15 anos, tomara que até lá a gente consiga melhorar essa comunicação! haha

Uma coisa que melhorou na comunicação, é que agora conseguimos fazer acordos com ele, por exemplo, ele fica mais 10 segundos no banho e depois disso ele sai, daí eu conto até 10 e ele entende que é hora de sair. Ou assiste o desenho até acabar o episódio e depois desligamos a televisão.... e por aí vai.

Em relação a coordenação dele, ele já é muito mais seguro, consegue fazer coisas como organizar brinquedos pequenos de maneira muito controlada, consegue pintar dentro das formas, preencher todos os espaços, mesmo que borrando tudo... ano passado ele não fazia nada disso. Ele já sobre sozinho em todos os brinquedos do parquinho, vai até o último andar do trepa trepa... consegue carregar a mochila da escola nas costas, sabe calçar os sapatos sozinho, apesar de quase sempre preferir que façamos isso pra ele. Já sabe tirar toda a roupa mas também prefere que façamos por ele.

Ele já sabe contar alguns números e sabe diferencias números de letras, mesmo que sem saber o nomes certinho. Ele voltou a ler livrinhos antes de dormir, e esse tem sido um momento dele e do pai, que é bem legal, já que eles passam pouco tempo juntos no fim das contas.

Falando em hora de dormir, ele ainda acorda a noite de vez em quando, mas é bem raro... ultimamente tem acordado falante, falando pelos cotovelos, e quer sair do quarto com tudo na mesa pra ele comer.

Na real, comer mesmo, ele curte só o café da manhã... as refeições de comida mesmo ele não gosta e tem sido bem enjoadinho pra comer, não aceita muitas coisas e mesmo essas ele come pouco. Experimentou algumas coisas novas que ele nunca tinha aceitado antes, como queijo branco, paçoquinha e castanha do pará!

Na escola, ele já tem a panelinha dele, convidou 4 amigos pro aniversário, deixou bem claro quem ele queria na festa dele e quem ele não queria. No fim das contas veio só uma amiguinha, mas deu pra ver como eles se davam bem, se abraçaram, tiraram foto sorrindo juntos, era nítido que eles ficavam a vontade um com o outro.

Esse ano, ele ficou bem ansioso com a festinha, por meses ele perguntava quando ia ser a festa dele, acho que por conta de acompanhar as comemorações na escola... quando foi a festa dele, ele pediu chapéuzinho e bolo de chocolate. Cantou parabéns e bateu palmas, assoprou as velinhas e quis ajudar a cortar e distruibuir o bolo. Foi muito amor!

Acho que essas são as coisas mais importantes dessa fase!

Estamos gostando muito :)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pensamentos sobre a vida dentro e fora da cidade grande

Eu estava agora lendo um texto que falava na questão de como alguns assuntos se tornam tão complicados para serem conversados com os filhos: morte e nascimento são os assuntos que parecem mais assustar os pais.

Fiquei pensando se quem mora numa fazenda tem as mesmas questões, ou se essas questões tem o mesmo peso.

Pensa comigo, uma criança que cresce num lugar onde ela convive com animais, com certeza vai acompanhar todas as fases de desenvolvimento dos bichos. Vai ver ovo virando pinto, virando frango, virando galo ou galinha... vai ver eles cruzando, um em cima do outro com movimentos estranhos e tudo mais e vai ver o ciclo continuar... vai ver o ovo sair da cloaca e assim vai. E vai pegar esse ovo, que ele sabe que pode vir a ser um pinto... mas vai comer, porque sabe que é comida, que faz parte da vida comer, assim como vai ver algum outro bicho invadindo o galinheiro pra roubar ovos.

Vai ver os pais matando o frango desde pequeno, vai ser normal pra ele conviver com o nascimento e morte. E não só dos animais que criam, mas de todos que circulam por lá... minhocas, insetos, pássaros, ratos. Vai ser normal lidar com corpos mortos, enterrar, ver aquilo se tornar alimento pra outro animal ou voltar a virar terra.

Vai ver animais mais próximos se procriando, vai ver um bezerro nascer no tempo dele e indo mamar, de um jeito natural e longe de aparelhos médicos, sem a idéia de tortura que existe hoje em dia em relação ao parto.

Também vai ver outros jeitos de nascer, de sapos, de peixes, de insetos...

Eu honestamente acho muito rica essa vivência que a cidade não tem. Queria ter vivenciado isso, até hoje tenho vontade e estou em busca disso. Acho digno conseguir lidar com toda a vida que envolve e a minha, se como o que como, sinto desejo de vivenciar todo o processo, seja vegetariano ou não. Quero ver a semente virar verdura, assim como quero ser capaz de cuidar da minha galinha e meus ovos, dos peixes e tripas. Quero poder aproveitar tudo e fazer do descarte um reaproveitamento de energia, quero me sentir parte da natureza, interferindo de maneira a não deixar lixo, não estragar o equilíbrio das coisas.

Não acho que a cidade seja ruim também... pra quem vive na cidade, temos muitos benefícios também, prezo muitos deles. Mas os nossos de pessoas da cidade geram tanto lixo que ultimamente tenho me sentido meio mal de pensar a respeito.

Viajei e perdi o fio da meada....

E já é hora de pegar o menino na escola.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Já faz mais de um mês que desmamamos




Desmamamos, no plural, porque foi um processo entre nós 2, não só dele, eu também me alimentava daquele momento.

Amamentar pra mim sempre foi uma coisa muito natural, nunca pensei em mamadeiras, nunca sequer cogitei, pra mim era isso ou era isso, e assim foi. Sequer questionei não dar o peito, afinal é pra isso que ele serve, e é disso que os bebês precisam... e se eu estava presente, porque não ser assim? Acreditava tanto nisso sendo uma coisa muito natural que em toda a minha gravidez não li nem busquei saber nada a respeito de amamentação, pra mim era só colocar o bebê lá e pronto, ele faria o resto. rs. Coitada de mim rs... podia ter dedicado um tempinho pra me preparar pra isso, me faria bem!

Acontece que o menino nasceu todo lindo, parto natural... todo choroso escandaloso sedento de mamãe... e eu colocava ele na teta e... ele dormia! Eu tinha que ir cutucando, tirando roupas do menino... daí ele dava uma mexidinha e mamava mais um tiquinho... lá na casa de parto chegaram a pingar uma gota de água gelada no canto da boca pra ele acordar! E ele acordava mesmo rs... bom, só que nisso o leite não deu muito as caras, eu estava achando que não tinha acontecido a magia ainda e me deram Plasil(um remédio que ajuda na descida do leite, pelo menos foi o que me disseram - hoje penso que foi desnecessário, dessas coisas que nos pegam pela falta de segurança -  por isso é tão importante se informar o máximo possível pra sentir segurança nas próprias decisões)... bom, daí eu fui pra casa ainda com os peitos tamanho normal e de repente o negócio explodiu, fui do tamanho 36 pro 42 em coisa de um dia, sei lá! Tive mastite umas 3 vezes (inflamação), sentia dores terríveis, tanto que eu sempre falo que senti muito mais dor pra amamentar que pra parir! Nisso também o Linus nunca fez a pega bem certinha, me machucou bastante, não a ponto de sangrar como já li umas histórias por aí, mas chegou a sair uns tequinhos de pele e depois calejou... ah, mas demorou uns 4 meses pra parar de doer, mas eu não deixei de dar, e não era nem uma questão de honra, eu simplesmente nem cogitava dar outra coisa (mas me orgulho de ter sido assim, te ver que tanta gente sabota a amamentação alheia  eu não deixei isso acontecer).

Amamentar nesse primeiro momento com um recém nascido é importantíssimo, tanto pelos benefícios para a saúde do bebê, coisa que todo mundo sabe (ou pelo menos deveria saber) mas também foi pra mim, como  mãe e imagino que pras outras mães também.

Naquele início de relação entre eu e ele, a hora da amamentação era a nossa conversa, nosso entendimento, nosso momento de se sentir seguro um com o outro. Ele não fala, não dá pra achar que se conhece um bebê conversando com ele do jeito que conversamos com adulto e a amamentação é o primeiro fio da conversa mais intima que você pode ter com alguém... é nessa hora que você querendo ou não muda todo seu ritmo de vida pra entender as necessidades do filho, seja ele como for, você vai sentar lá e esperar ele se saciar, seja pela fome, seja pelo toque... no caso do Linus, quando engatou a mamar, eram 40 minutos de 2h em 2h mais ou menos. Amamentar é esperar o tempo dele, é o primeiro exercício que eles nos propõe, o primeiro desafio, que se desdobrarão em muitos, todos com a mesma questão: é preciso ter paciência e esperar o tempo dele. E não tem jeito, quem diz o ritmo é ele.

E dá trabalho, dá muito trabalho, tem leite vazando, tem roupa fedida, tem gente pentelhando dando opinião demais, tem dor, tem hora que ele não aceita o peito. É realmente um exercício de muita paciência e força de vontade. Comigo foi assim, eu tive que insistir pra nossa conversa ficar boa de verdade, demorou uns 3 ou 4 meses rs. Mas daí pra frente já éramos super íntimos haha, ele confiava em mim, eu só tinha olhos pra ele, éramos alimentados de muito amor, amor que começou com a amamentação e que se estendeu pra tudo, inclusive pra ter muita tolerância e compreensão com o jeito chorão escandaloso dele... e de verdade, quando eu amamentava em livre demanda, tinha muito mais paciência e aguentava ouvir muito mais choro que hoje em dia! E vou confessar, hoje me irrito profundamente quando ele começa com choro manhoso... tenho certeza que não enlouqueci nem joguei ele pela janela antes por estar tomada de ocitocina da amamentação! Salve amamentação.

Seguimos 6 meses de amamentação exclusiva e chegou a hora de comer... fiquei meio perdida em como encaixar as refeições no meio das mamadas e tal, mas deu tudo certo com a dinâmica toda... só não deu mais certo porque ele tinha nojo de comer! Pois é, ele cuspia tudo, a gente festejava se ele comesse 5 colheradas! E nisso o que acontece? Mais preocupação, eu achava que ele ti-nha que comer papinha igual eu tinha lido nos blogs da vida... mas eu não dei o tempo dele nem segui minha intuição... era meio sofrível fazer todas as papinhas naturebas, sabores variados e o menino só cuspir... até que eu desisti (desisti naquelas, eu dava sempre mas nem botava fé que ele fosse comer, e ele de fato não comia) e apesar de tudo, ele ainda tinha o meu leite... lá pelos 9 meses eu desencanei de vez das papinhas e comecei a dar a comida do meu prato(o problema, que fui descobrir depois, é que ele odeia comida mole, com molho, amassada, purês etc)! E deu certo, foi aí que a alimentação sólida começou a ganhar a vez... e eu fui diminuindo as mamadas.

E apesar de acreditar no tempo dele eu também senti que a amamentação era uma conversa de dois e não de um só e nisso fui também colocando minhas regras nessa história toda. Com a alimentação sólida mais estabelecida, menino deixando de ser tão bebezico eu fui aos poucos mudando a livre demanda.

A primeira mudança foi não oferecer mais o peito em lugares públicos, principalmente porque sempre fui meio atrapalhada com a logística toda de colocar os peitos pra fora pra amamentar e isso atraia muito mais olhares do que eu gostaria. E nisso algumas mamadas se perderam, no começo ele chorava bastante, mas me mantive firme e logo ele não ligava mais de não mamar no metro ou no ônibus, aprendeu a lidar com isso. E ficamos assim por um bom tempo. Ele ainda mamava em casa, na casa das pessoas que visitávamos, mamava a noite toda... mamava sempre que pedia.

Depois o segundo passo foi tentar limitar os lugares onde ele mamava e dependendo da situação eu pegava no colo e distraia com outra coisa, ia dar uma volta, tentava brincar, oferecia outra coisa pra comer e deu certo, a partir daí então ele só mamava no sofá e na hora de dormir. Outras mamadas foram cortadas.

A parte mais difícil de desmamar foi a noite, quando ele tinha cerca de 1 ano e 10 meses, nessa época ele ainda acordava de 2h em 2h pra mamar e não estava voltando a dormir com facilidade... estava muito ruim e seguramos a onda até as férias do Henrique pra desmamar a noite juntos (tem um post falando só disso). No fim das contas deu tudo certo e o Linus começou a dormir a noite toda, as vezes ainda acorda algumas vezes, mas não mama mais.

Depois disso colocamos o Linus na escola por meio período e era a tarde toda sem peito, nisso restaram só duas mamadas. Aos poucos tirei a mamada da manhã, distraindo algumas vezes e em outras negando mesmo, dizendo que só mais tarde e ele entendeu que essa não tinha mais,

Ficou por último uma mamada que era na volta da escola, ele voltava, já sentava no sofá e pedia.... passava um tempão mamando, aproveitando a única do dia.

Daí que nessas férias de meio de ano meu irmão me chamou pra viajar com ele e com a filha dele de 4 anos e passamos 4 dias longe do nosso sofá e o Linus sequer pediu, estava tão entretido com a prima que nem ligou e assim que chegamos em casa, ele pediu pra mamar de novo e eu deixei. Mamou por 2 dias e logo viajamos de novo, dessa vez com o pai junto. Foi uma viagem de 9 dias e ele pediu pouquíssimas vezes e conseguimos distrai-lo com outras coisas... foi então que o desmame se concretizou.

Ele sentiu falta sim, pediu várias vezes aqui em casa, mas depois de quase 10 dias sem, eu resolvi colocar o ponto final dessa parte do nosso relacionamento. Argumentava que não tinha leite, o que argumento até hoje se ele pedir, dei mais colo nesse primeiro momento... mas vou confessar que ele não mama desde 1 de junho mas ainda hoje se eu ordenhar ainda sai uma gotinha (e lá no fundo eu tenho vontade de deixar ele mamar de novo).

Fico feliz por ter sido assim, amamentei meu pequeno por 2 anos e 9 meses, sem traumas, sem muita pressão (só um pouquinho), com calma, sem sofrimentos nem pra ele, nem pra mim. Não me abalei com as controvérsias que a amamentação gera, fiz o que acreditei ser certo e boto muita fé que isso fez muito bem pra nós 2.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

2 anos e 7 meses

Faz muito tempo que não escrevo sobre o desenvolvimento dele e tal, mas ontem foi a reunião na escola dele e ver assim as coisas todas faladas e comentadas me deu vontade... pela recordação mesmo. E eu bem sei que esqueço de tudo, sem escrever não vou lembrar quando as coisas foram acontecendo.

Então bora lá

- Ele já sobe desce escadas sem ajuda, mas as vezes pede ajuda
- Já sabe o que é em cima, em baixo, atrás, em frente e do lado
- É muito cuidadoso e metódico com tudo, pra ele tudo tem uma ordem certa a ser seguida e se não for assim ele chateia profundamente
- Voltou a comer feijão (pra nossa alegria)
- Já sabe tirar e colocar os sapatos (de velcro)
- Já entende quando explicamos alguma coisa sob o argumento de "depois"
- Atende o telefone sozinho e diz "Auô? Quem é?"
- Tem paixão pela vovó e pelo vovô
- Tem muito senso de igualdade, pra ele todos tem que ter as mesmas coisas, se ele tem um prato, todos tem que ter, se ele tem um brinquedo, todos tem que ter e assim por diante...
- Pede pra ir no parque quase todos os dias
- Já fala com uma pronuncia boa, e com idéias mais complexas, já parece mais uma conversa
- Tem uma memória impressionantemente boa, lembra de coisas que viu ou ouviu só uma vez, há muito tempo atrás
- Já entende como as plantas funcionam, da semente até o fruto, a verdura em si -  e isso aprendeu com as árvores e horta em casa... ele me ajuda com a sementeira e ama regar tudo
- Ainda usa fraldas e não demostra interesse pelo penico
- Está dormindo melhor, as vezes segue uma noite inteira até as 6h.
- Gosta muito de cozinhar, o que mais fazemos juntos é pão, pão de queijo e bolo.
- Tem preferência pela granola de cacau e banana da mãe terra (quer mais? rs)
- Gosta de ver desenho na tv, já sabe pegar o dvd na caixinha e colocar no aparelho. A Dora Aventureira é hit aqui em casa.
- Pedalou na motoca uma vez pra nunca mais
- Continua absurdamente tímido
- Já dá sorriso falso pra câmera
- Segundo a professora, pinta muito bem pra idade dele -  eu acho lindo de qualquer jeito haha
- É o repressor da casa, não deixa ninguém cantar nem dançar e logo manda "Paie com isso você dois!"
- Ele conta engraçado é tipo assim: 1, 2, 9, 10!
- Comeu cogumelo e gostou
- Ama pizza, que tem que vir com tomate, pra ele tirar e me dar... vai entender, ele não come, mas fica triste se não tiver.
- Ganhou um dente cinza na escola, um dia foi braquinho e voltou cinza... pelo que ele me contou, o Pedro bateu na boca dele, mas a professora disse que não viu nada... que ele nem chorou naquele dia.


Acho que é isso...
Caminhando pra 3 anos!

terça-feira, 23 de abril de 2013

Sobre carrinhos de passeio

O nosso carrinho está nas últimas e sempre que uso, fico pensando sobre os carrinhos... eu precisava ter lido a opinião das pessoas antes de escolher o nosso... que é esse aqui no modelo preto.

Primeiro de tudo... minha sugestão é: adie o uso dos carrinhos, use o sling o máximo que for confortável para todos e claro, eu indico o wrap sling que ajusta melhor e é mais confortável ;)
Usando o sling vc se poupa do estresse das calçadas e do carrinho não caber no lugares... pra mim, por exemplo que não tenho carro, não rola sair de carrinho se preciso pegar ônibus, a não ser que eu esteja acompanhada e mesmo assim é meio atrapalhado.

Então dependendo do seu uso, coisas diferentes devem ser consideradas, acho que a única coisa que vale pra todos os casos é:

Verifique se existe uma assistência técnica na sua cidade!
Por incrível que pareça, parece que em São Paulo não tem uma da marca que compramos e sequer responderam meu e-mail pedindo informações sobre isso.

Mas sendo prática, minhas dicas, pra quem não tem carro e vai usar muito o carrinho:

- Invista! Se organize no chá de bebê pra fazer uma vaquinha e compre aquele que parecer cumprir melhor suas necessidades.

- Rodas grandes emperram menos nas calçadas, facilita empurrar com o peso que vai aumentando com o tempo.

- Não se engane na loja, empurrar um carrinho vazio no chão lisinho da loja não simula a situação real das calçadas! Mas atente-se a ergonomia do carrinho, se a altura é boa, se é fácil de segurar, se o apoio é bom.

- Existem várias maneiras de inclinação do carrinho, a do meu carrinho é pelas duas laterais e isso dificulta na hora que o bebê está dormindo, é necessário uma terceira mão pra controlar a queda, porque sim, o encosto cai de uma vez... daí eu quando estou sozinha tenho que fazer um certo contorcionismo pra conseguir fazer isso sem deixar o encosto cair de uma vez.

- Não se preocupe em ter carrinho com bebê conforto, já que você não tem carro, invista em uma cadeira que sirva para todas as categorias, assim, você vai comprar uma cadeira que vai usar até seu filho ser grande, sai mais caro a princípio, mas no final das contas é mais barato. Quase nunca usamos a cadeira e a cada intervalo de uso ele já não cabe no último ajuste... Percebi isso depois de já ter comprado o bebê conforto e ter visto que usei umas 5 vezes até ele não caber mais, ou seja, muito dinheiro e muito pouco uso. Com a nova, vamos usar a mesma até ele não precisar mais e é uma coisa a menos pra me preocupar ao longo dos anos.

- Se você vai precisar andar de ônibus e carrinho ao mesmo tempo, escolha um modelo menor e fácil de montar e desmontar

- Se você é como eu que usa o carrinho pra carregar mochila, fazer compras, fazer feira e passeios de dia inteiro, escolha um com super cesto! Sinto falta no meu. E quanto maior o limite de peso do seu carrinho, mais tralha você vai pode carregar!

- Já ouvi mães reclamando que o carrinho era baixo e quando seus bebês viraram meninões de 2 anos, já não dava pra usar porque os pés arrastavam no chão ou nas rodinhas! Então, mais uma coisa a observar!

- Dê preferência a carrinhos que proteja bem do sol, mas não leve isso como prioridade, sempre dá um jeito de prender uma mantinha e proteger o bebê.

- Veja se vem com capa de chuva, o meu não veio e a princípio achava estranho a idéia de usar um plasticão, mas tem dias que seria muito útil ter um!


Acho que é isso!
Se tiver mais dicas, comente aí!

;)

sexta-feira, 8 de março de 2013

Nessa semana onde falam tanto sobre carreira na blogosfera materna......

... eu mesma estou começando uma nova perspectiva de vida, de trabalho.

Abrimos recentemente, eu e Henrique, uma lojinha virtual para vender nossos trabalhos.
A princípio temos gravuras nossas... mas com o tempo vamos encher de outras coisas bonitas. (E emolduradas)

Espiem lá!


PUIA!


Espero que gostem!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Agora sim, relatando o sono do Linus.

                                                    Brincando com o sono do anjinho.



Fica aqui relato pra mães desesperadas, de primeira viagem, como eu que não sabia mais da onde tirar energia para lidar com o sono difícil do filho.

Quando o Linus nasceu, ele era como qualquer recém nascido que dorme demais, dormia tanto e tão profundamente que eu tinha que ficar acordando ele na hora de mamar porque ele adormecia muito rápido. Na real ele tava tirando uma com a minha cara, me acostumou mal depois me deu um belo de um golpe! rs

Um mês depois o mundo dele mudou... sabe-se lá porque ele começou a chorar muito... na real a chorar todo o tempo que estava acordado e uma vez acordado era absurdamente trabalhoso e cansativo conseguir fazer ele dormir. E uma vez que pegasse no sono, era impossível deitá-lo em algum lugar. Ou seja, minha vida era tentar fazer ele descansar um pouco e eu nisso não descansava nada. E isso durou 2 meses.

Nesse meio tempo, depois de muitas buscas por soluções, eu achei e tentei o método do Dr. Karp( exterogestação) e isso ajudou demais, só que a gente ainda balançava o Linus de um jeito muito mais cansativo... ele parava de chorar, mas tinha que manter o ritmo por um bom tempo até ele pegar no sono de fato. A partir do segundo mês ele já dormia na nossa cama, era impossível acompanhar as acordadas dele, em média de 2h em 2h e mais 40 minutos para ele voltar a dormir.

Pra quem quiser conhecer:
Vídeo - Dr. Karp -  exterogestação parte 1
Vídeo - Dr. Karp -  exterogestação parte 2
Vídeo - Dr. Karp -  exterogestação parte 3
Vídeo - Dr. Karp -  exterogestação parte 4

Aos 4 meses, pela primeira vez, um dia depois de trocar a fralda, ele ficou acordado e sem chorar deitadinho no trocador por cerca de 5 minutos. Aquilo foi um êxtase! Como assim ele não está chorando!? Pra mim era já era muito normal ouvir ele chorar a qualquer momento, e principalmente com qualquer gesto de separá-lo do colo. Imagina isso, era inacreditável isso pra mim, naquela época. E foi acontecendo mais vezes, 5, 7, 10, 15 minutos! E eu deixava ele deitado até ele reclamar... e o tempo ia aumentando... dava pra deitar um pouco na cama com ele, isso foi muito bom pra mim. Mas ele ainda chorava muito e não dormia com facilidade.

Ele foi crescendo e até cerca de um ano de idade o padrão era esse... nada mudava muito de verdade, ele com dentes nascendo ou não o que mudava era que ele babava muito, a irritabilidade era sempre meio que a mesma. Um dia ou outro pior. Mas nada aparentemente justificável. Saídas de casa eram transtornantes, ele sofria demais no carro, no metrô, no carrinho, no ônibus, em lugares fechados... nos parques tinha pavor de encostar na grama ou em árvores! A gente até brincava que se soltássemos o menino na grama, ele levitava, tanto era o esforço dele pra não encostar! Com o tempo foi melhorando, mas levou um booom tempo!

Dos 4 meses a 1 ano e 10 meses tínhamos uma rotina muito fixa, que eu respeitava sempre, sem cogitar fugir dela. Essa rotina surgiu de uma observação dos próprios hábitos do Linus. Durante uma semana inteira eu anotei tudo que acontecia com ele e com os horários, tudo mesmo, quando comia, como comia, quando mamava, quando chorava mais ou menos, quando dormia, quando acordava, quando era mais calmo... e nisso encontrei um padrão de sono e fome que me orientaram e isso fez a vida se transformar incrivelmente... tudo começou a ficar mais previsível e eu poderia então evitar que ele se irritasse demais com a fome e principalmente com o sono. Nessa rotina também tínhamos o cuidado de não ter televisão ligada enquanto ele estava acordado, abaixar o ritmo de brincadeiras perto dos horários de sono, deitar na cama com a luz mais apagada, mesmo que ele ainda mamasse pra dormir (ele mamava deitado, dormia e eu saia do lado e deixava ele na nossa cama, com rolos de edredom em volta  e a cama encostada na parede -  pra quem quer mais segurança, siga essas dicas de cama compartilhada). Com o tempo acrescentamos um momento de ver livrinhos e músicas de ninar antes de dormir...E esse era o padrão toda noite, com acordadas cronometradas de 2h em 2h, daí era mamar e dormir!

Até que um dia isso começou a me cansar demais. O Linus já não pegava no sono tão rápido, cheguei a ficar mais um uma hora com o menino pulando de peito pra peito e não cair no sono profundo, ficar só naquela "chupeitação" e não me deixar ir embora nunca, completamente apegado e meu peito dolorido, sem contar as costas e meu humor indo pro lixo, tentamos uma noite um desmame abrupto e foi horrível pra todo mundo, desistimos por um tempo... então comecei a pesquisar sobre desmame noturno e achei o método do Dr. Gordon e decidi aplicá-lo em nossas vidas assim que o Henrique entrasse de férias, afinal, seria cansativo. Quando isso aconteceu, nós já tínhamos mudado de casa, Linus tinha seu quarto e sua cama (com gradinha do lado)... ele tinha 1 ano e 10 meses. E fizemos passo a passo, com muita convicção que daria certo e seguros por estarmos nós dois ao lado dele nesse momento difícil na vidinha dele. E deu supercerto. Ele não chorou tanto quanto esperávamos, deve ter chorado por 5 minutos seguidos em cada acordada, até que na sétima noite ele dormiu 8 horas seguidas! Nós estranhamos muito, mas foi um momento muito feliz! Eu me senti muito aliviada, mesmo eu mesma acordando várias vezes, eu já tinha de volta a minha mobilidade na cama, meus peitos livres e tudo com tranquilidade, sem mastite, sem dores, sem culpa! Ele ainda acorda uma vez lá pelas 4h30 pra mamar, mas é muito mais tranquilo, é algo possível, que não me incomoda, ele chama, eu deito com ele na cama dele, ele mama e ficamos até umas 7h da manhã.

Durante o dia as sonecas sempre duraram 40 minutos, com raras exceções. Sempre mamando pra dormir, não me lembro exatamente quando desvinculei o sono com as mamadas, mas foi cerca de 2 anos de idade, ou fazendo dormir andando no carrinho, ou ninando um pouco no colo e com o tempo conseguindo (com muita paciência) fazê-lo dormir direto na cama, deitando com ele até pegar no sono profundo.

Hoje em dia ele frequenta a escola e acaba dormindo bem na hora de ir pra escola, levo de carrinho, ele dorme no caminho e eu espero ele acordar pra deixá-lo lá. Depois disso dorme lá pelas 20h, segue as 8h de sono, acorda, eu vou e ficamos até a hora do café da manhã.

Com a idade e a fala se desenvolvendo cada vez melhor, a rotina tem se flexibilizado, já que ele já consegue se expressar melhor, então vamos nos desapegando aos poucos e confiando no que ele nos transmite, tem sido cada vez melhor!

Então, pra você, mãe desesperada: acredite, vai melhorar!


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Sobre a mulher que surgiu em mim....

...depois que tive o Linus, ou melhor, depois que voltei a menstruar!

Primeiro que vivenciei uma gravidez muito tranquila, cheia de carinho e amor exalando pelos meus poros... eu conseguia gostar até de quem sempre me irritava, de verdade, eu era só amor.

Daí o Linus nasceu e eu continuei me mantendo num geral, muito amorosa só que muito cansada, absurdamente cansada e solitária... porque diferente de uma boa parcela das recém mães, eu escolhi  (nem sei se tinha escolha na real) encarar tudo sozinha e o Henrique passava 12h do dia fora de casa, trabalhando.

E foi bem um ano e dez meses meio que nesse clima... pra mim era isso, daqui pra frente era isso.

Daí eu menstruei!

Gente, que isso?!
Ninguém me falou que isso ia mudar tudo!

Assim, antes da gravidez eu meio que me gabava por não ter tpm, cólicas, nem nada daquilo que todas reclamam da menstruação (tá aí, até nisso cuspi pra cima... e caiu bem no meio da minha cara). Eu nunca entendia aquilo, respeitava, nunca falava nada... mas nunca compreendi de fato.

Daí que agora eu tenho tudo isso! Eu tenho mais oscilações de humor do que tive na minha vida inteira e por metade do mês! E inclui nisso um desconforto físico durante a menstruação e dores estranhas que não são exatamente cólica, é uma dor de pele, como se tivessem me socado a vulva e eu estivesse me recuperando de um grande hematoma! (é só comigo?!)

Não sei se cheguei no nível que vi de algumas mulheres de falar que não podem fazer alguma coisa por conta da menstruação ou por agredir gratuitamente as pessoas, mas meo deos...  tem dias que é foda, vou da angústia pra vontade de chorar de alegria em segundos!

Minha impressão é que eu não vou me adaptar nunca! É muito caos pra mim...

E vocês, mães leitoras... como a maternidade mexeu com o humor de vocês?


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Frescura pra comer?!



A aflição do Linus em comer texturas molhadas, cremosas e pastosas é tanta, que ele come a banana pelas bordas!

E ainda preciso fazer um post sobre a dificuldade em alimentar esse menino!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Mudando de fase.

Linus está mudando, de bebezão pra criancinha!
Ele já fala bastante, muitas vezes faz frases que a gente entende muito bem e coisas que ele diz espontaneamente... coisa que não fazia antes, que era só repeteco tipo papagaio mesmo! Claro que ainda é bastante, mas ele já tem bastante autonomia, que é bem engraçada alias! Outro dia ele soltou "papai tem pinto", em resposta ao "Vovô não tem juízo" que a avó dele dizia no meio do almoço na casa dela, foi bem engraçado rs.

Agora ele corre muito mais, quer montar coisas mais complexas, inventa brincadeiras, trenzinhos, carros, comidinhas... pula, sobe e desce em coisas de todo tipo... já fala o que quer e o que não quer, o que gosta e não gosta. Já faz um choro chateado muito forçado, daqueles que não sai uma lágrima!

Mas também tem um lado bem nenezão, quer colo porque não quer andar, chora porque cansou, porque quer mamar, porque assustou, porque caiu, porque as coisas não estão acontecendo exatamente no momento que ele quer. Chora pra tomar banho, chora pra sair dele, chora pra ir pra escola, me enrola na hora de ir embora, faz que não quer ir pra casa. Gosta que eu de comida pra ele, exije minha companhia na hora de dormir... tudo é com a mamãe...mamãe mãe mããããe!!!! Sempre!

 Linus é impaciente e indignado... e inconsolável as vezes. Já entende sentimentos, não quer ver ninguém triste e sente medo de muitas coisas, tanto que usa a palavra "medo" muito mais do que pede comida por exemplo. Mas tem aprendido a escutar e parece entender bem quando explicamos as coisas pra ele.

O paladar mudou, não quer saber de várias comidas... tem nojo de comidas moles, com molho, molegas.... ama arroz, linguiça e uva. E bebe muuuita água!  Adora quando tem pizza, coisa que tinha nojo antes... assim espero que mude todo o resto também. Come banana pelas bordas, que nem milho, mas milho mesmo ele não gosta... vai entender.

É carinhoso, abraça, dá beijinhos, não morde e briga com a gente quando queremos morde-lo.... faz carinho rapidinho, se joga em cima, rola por cima... dá beijinho de esquimó. <3

Lembra o nome das pessoas, associa falas, gestos e coisas dessas pessoas.

Precisa da nossa presença, minha ou do Henrique o tempo todo pra se sentir seguro. Não fica sozinho com outras pessoas sem saber onde estamos. Nunca ficou um dia inteiro longe da gente. Mas já se solta muito mais pra brincar com outras crianças e em parquinhos, ou mesmo pra brincar sozinho.

Gosta de ver televisão, mas tem seus favoritos que variam de época em época:
- Ponyo, uma amizade que veio do mar
- Meu vizinho Totoro
- Panda e seus amigos
- Dora aventureira
- Mecanimais
- Carros
- Como treinar seu dragão
- Wallace e Gromit
- A fuga das galinhas
- Piratas pirados

E já sabe pegar a caixa de dvd, abrir, pegar a midia... depois ligar e abrir a parte de colocar o dvd no aparelho, colocar certinho e fechar... só não aprendeu a escolher certinho o menu.

Tem mudado tudo muito rápido, tanto que nos surpreende todos os dias :D

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Seu filho briga pra dormir? Dorme mal?

Comenta aí pra me consolar sobre sua história...... depois quando me restar alguma energia eu discorro mais sobre nosso caso... vê se vem algum bom humor nesse momento! rs

Pra ter noção, são 2h de luta pra ele dormir e se nega a dormir por tudo tudo... ontem gritou por mais de meia hora, inclusive de madrugada. Hoje enfiou a mão na goela até vomitar.

E a paciência?!

São mais de 2 anos nesse ritmo.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A natureza da dependência

Na verdade eu queria ter escrito sobre como eu acho ruim um desmame abrupto assim como qualquer outra etapa na vida de uma pessoa ser feita sobre pressão forçando uma coisa além do limites dessa pessoa e como isso gera um trauma e principalmente em crianças e bebês. Mas como ando sem jeito pra parar pra escrever e nas minhas idas pelas blogosfera, achei esse texto que achei muito bom, resolvi publicá-lo aqui.


A NATUREZA DA DEPENDÊNCIA
Recentemente, conversei com uma amiga que teve seu primeiro bebê há seis meses. Essa amiga comentou que iria começar a dar a mamadeira para seu bebê de forma que ele pudesse ter comida sempre que desejasse. O que eu realmente pude sentir foi que ela creditava que poderia, através disso, ensinar seu bebê a ser mais independente e que, por isso, talvez, sentisse que a dependência de sua criança fosse causada por uma deficiência dela. Nota-se que minha amiga partilha das concepções erradas que existem atualmente de que a dependência é ruim e a independência é algo que pode ser ensinado. Mas ai existe um engano. A independência é uma condição que surge da própria relação da criança com a dependência.

Nós temos um preconceito cultural muito grande em relação à dependência. Qualquer emoção ou comportamento que indique fraqueza representa dependência. Isto fica evidente na maneira como nós forçamos nossas crianças a realizarem coisas que estão além de seus limites pessoais. Com isso, estamos afirmando que os padrões externos são mais importantes que a experiência interna da criança. Fazemos isso quando desmamamos nossas crianças em vez de confiar e acreditar que elas possam fazer isso por sua própria conta e na hora certa; quando nós insistimos que nossas crianças se sentem à mesa e comam toda a comida só porque achamos que o alimento que escolhemos é mais saudável e eficiente, em vez de confiarmos, que eles comerão bem, comendo o que está de acordo com o apetite deles; e quando nós os treinamos para a higiene numa idade muito precoce em vez de confiar que eles aprenderão usar o banheiro quando eles estiverem neurologicamente prontos.

Quando nós, que somos pais, assumimos que sabemos o que é melhor para nossas crianças no que diz respeito à experiência interna deles, e que somos nós que temos que lhes mostrar quando e como realizar determinadas tarefas características do desenvolvimento humano básico, nós os ensinamos que os padrões externos são mais importantes e mais precisos do que os que eles sentem e pensam.
Dois estudos científicos recentes refletem este preconceito cultural que despreza a fraqueza e a dependência das crianças. Um dos estudos comparou crianças que iam ser e estavam no colo de suas mães e crianças que foram vacinadas sem a presença de suas mães. As crianças que foram vacinadas na ausência de suas mães choraram muito menos. De posse desses dados, os investigadores concluíram que seria melhor que os pediatras desencorajarem a presença das mães durante vacinação porque as crianças poderiam controlar melhor suas reações às injeções na ausência delas. Obviamente, os investigadores deste estudo foram parciais no que diz respeito às expressões emocionais e acreditaram que a expressão emocional das crianças sob tensão era uma forma de fraqueza.
Minha experiência é bem diferente. Eu notei que meus quatro filhos comportam-se de formas diferentes quando nós estamos em viagens ou estamos longe de casa. Nas viagens, eles controlam bem coisas, se dão bem entre si, e aceitam horas irregulares de sono irregulares ou mudanças na alimentação, mas ao voltar para casa é que as coisas mudam. Em casa, eles brigam, choram, e brincam. Eu acredito que esse é um comportamento normal para pessoas de todas as idades. É comum que as pessoas se unam quando enfrentam uma situação estressante ou então, isolarem-se e mesmo brigarem quando estão em território seguro. Para uma criança, o território seguro é a casa, a mãe, ou o pai.
Então, era perfeitamente normal para aquelas crianças que iam ser vacinadas, chorassem sob a tensão da experiência, na presença de suas mães. A presença das mães dava-lhes liberdade e confiança para que chorassem. A conclusão deste estudo poderia ser: Que é melhor que as mães das crianças estejam presentes quando as crianças forem vacinadas. Assim elas podem controlar melhor a sua experiência de sentir medo, expressando-o.
Um estudo administrado por Margaret Burchinal da Universidade de Carolina do Norte em Chapell Hill, e publicado em fevereiro 1987 na Psychology Today, compararam crianças jovens que foram cuidadas em casa por suas mães desde o nascimento, com outras crianças que haviam ficado em creches desde a tenra infância. Este estudo concluiu que as crianças criadas fora de casa pareciam menos inseguras do que aquelas que haviam ficado em casa com suas mães. Poderíamos discutir que o que "parece" ser insegurança é uma avaliação subjetiva que não tem bases cientificas. Minha experiência diz que a insegurança é uma resposta absolutamente "apropriada" e normal. As crianças jovens são especialmente sensíveis a pessoas novas em seu ambiente, e esta sensibilidade muda na medida em que seu ambiente se altera. Por exemplo, cada um de meus filhos relaciona-se de forma diferente com estranhos. Esta diferença está diretamente ligada com quantas pessoas nós encontramos fora de nossa casa. Meu quarto filho que cresceu fazendo contato com muitas pessoas que trabalhavam comigo na revista, às vezes parece uma criança mais segura do que minha primeira filha que foi criada num ambiente rural, onde era vivia mais isolada.
As pessoas que estudam animais lhe dirão que bebês animais, conhecidos por sua curiosidade, são mais cautelosos que curiosos. Seria a precaução ou a cautela consideradas uma forma de insegurança? Às vezes agimos como se desejássemos que nossas crianças "surgissem do útero", completamente socializadas, e não aceitamos as experiências que elas têm com o mundo e nem suas personalidades individuais. Mas é simplesmente o passar do tempo que desenvolve a socialização. Não há como apressar isso sem causar problemas.
Quando rejeitamos as expressões de fragilidade da criança - comportamento que nós também rejeitamos em adultos - nós criamos uma guerra dentro delas. Em primeiro lugar, nós estabelecemos um padrão arbitrário de comportamento que pretende determinar o que é melhor para que eles possam construir a própria experiência. Por outro lado, nós lhes ensinamos o hábito de rejeitar respostas imediatas e afetivas em favor da razão e do intelecto.
Foi só recentemente que eu comecei a aprender a aceitar as emoções mais "frágeis" de meus filhos. Quando minha primeira filha (agora com 12 anos) era um bebê, eu ficava assustada cada vez que ela se feria. Eu corria para acudi-la porque eu achava que aquela era uma experiência terrível com qual ela não tinha condições de lidar. Minha resposta exagerada ensinou minha filha a acreditar que se ferir, era uma experiência terrível e insuportável. Já com meu quarto filho eu agi diferente. Quando se fere, ele faz um tremendo barulho. Mas eu não corro ou fico em pânico. Eu não tento fixar nele ideias ou sentimentos que são meus. Ela grita e corre, e eu tive que me treinar para deixa-la se arranjar. Aceitando sua resposta emocionalmente rica, e tratando o dano que ela sofreu com carinho e sem indiferença, observei que sua reação emocional "extrema" normalmente é curta. Quando ela pode sofrer sua realidade emocional completa, ela logo fica livre para abandona-la e entrar em contato com outras realidades que vão surgindo nos momentos seguintes.
Certamente, algum controle de nossos impulsos internos é necessário na medida em que vivemos como seres sociais. É através desse tipo de controle que nós aprendemos o que é um comportamento socialmente aceitável como, por exemplo, usar um banheiro, comer com uma colher, e vestir determinadas roupas. Mas quando este controle da experiência interna pelo intelecto torna-se moralista em vez de ser socializada e prática, quando fica muito extremada, ou quando nós insistimos constantemente em fazer nossos filhos a acreditar que nós sabemos o que é melhor para eles, nós lhes roubamos o direito inato e essencial da auto-regulação.
A criança que cresce com essa falta de senso de auto-regulação, desconfiada de si própria e de sua própria experiência interna, pode se tornar um adulto vitimado por hábitos ruins. Quando eu olho à minha volta e vejo a maioria das pessoas lutando com comportamentos compulsivos - comendo demais, sendo excessivamente responsáveis, fumando cigarros, tomando drogas, se matando de trabalhar, se embebedando com álcool ou que vivem em busca de um guru - tentando de algum modo achar a perfeição fora de si próprio ou tentando se esforçar obsessivamente para encontrar a "perfeição".
Eu acredito que estas compulsões e hábitos têm suas origens nas repressões aparentemente bem planejadas da infância. Uma criança a quem é ensinado exercitar o controle se utilizando padrões externos, cria uma divisão interna que gera conflitos entre o que é imediatamente experimentado e o que se supõe que poderia ser. Aprende a acreditar que há um modo perfeito de ser.
Nossa função como pais, é entender e honrar a natureza de dependência na criança. Dependência, insegurança, e fraqueza são estados naturais para a criança. A bem da verdade, estes são estados naturais para todos nós, mas para as crianças - as crianças especialmente jovens - são condições predominantes. E eles serão superados. Da mesma maneira que nós deixamos de engatinhar e começamos a andar, deixamos de balbuciar e começamos a falar, passamos da condição assexuada da infância para a sexualidade da adolescência, nós atingimos nosso fins. Como humanos, nós nos movemos da fraqueza para a força. Nós passamos da incerteza ao domínio. Enquanto nós nos recusarmos reconhecer as fases que vem antes do domínio, estaremos ensinamos para nossas crianças a odiar e desconfiar de sua própria fraqueza, e os introduzimos numa vida cheia de tentativas de reintegrar as suas personalidades.

Eu não posso insistir na importância de confiar em nossos filhos; de confiar inteiramente neles. Ao aceitarmos as fraquezas deles como também as suas forças, suas emoções feias como também as suas emoções bonitas, os seus desastres, como também os seus triunfos, a dependência deles como também a sua independência, estaremos lhes dando um presente para uma vida inteira Eles serão pessoas inteiras que não estarão em conflito consigo mesmo e, o que é mais importante, não estarão em guerra com outros.

É da natureza da criança ser dependente, e é da natureza da dependência ser superada. Odiar a dependência porque ela não é independência é o mesmo que odiar o inverno porque ele não é a primavera. A dependência vai florescer em independência a seu próprio tempo.
Texto de Peggy O'Mara, Editora da revista Mothering (Maternagem)

retirado daqui: http://gaama.bebeblog.com.br/86653/Diga-NAO-ao-desmame-abrupto/