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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Sobre deixar de ser casal e reaprender a ser somente eu

O que é deixar de ser um casal com filho, pra então sermos dois solteiros com filho em comum?

Então 2014 foi o ano das separações dentro do nosso círculo social, meu e dele... Muitos de nossos amigos casais se tornaram solteiros, e não só amigos, como amigos de amigos, conhecidos... Por aí vai. Pode ser algo que gire em torno dos 30 anos, pode ser acaso, pode ser que não. Mas nós fomos parte desse movimento. Após seis anos juntos, quatro deles como mãe e pai, decidimos então nos separarmos.

A princípio foi algo calmo e decidido com muita razão, cabeça fria apesar dos pesares. No fim das contas a coisa desgastou, não éramos felizes juntos como desejávamos ser e sentíamos que era só mais um passo adiante que precisávamos dar pra continuar essa longa caminhada da vida.

( pausa aqui: não quero entrar no mérito de tomar lado algum nem vou entrar em méritos de dizer o que foi, o que não foi e tudo o mais)

Onde eu queria chegar é:

O que é estar solteira depois de tantos anos casada e ainda por cima, ser mãe de uma criança pequena?

É algo comum, mas não leio muito sobre isso, não escuto muito sobre isso... Parece um universo meio obscuro.

E de fato é, é tão complexo que nem eu mesma sei dizer.

Deixar de ser um casal de longa data é uma brusca mudança que requer muita força de vontade, porque de alguma maneira isso vai mexer em nossa estrutura... Estrutura aquela que era apoiada em mais alguém e agora estamos aqui, por nós mesmas. É estranho no começo se segurar pra não manter o ritmo de sempre, de falar como foi o dia, de falar de novas descobertas, de falar que viu algo mais barato no supermercado... Ou qualquer coisa que costumava ser cotidiano dos dois. Mas também é estranho ter tantas novidades que só acontecem porque você não é mais um casal... Coisas que mundo nos permite ou nós mesmas nos permitimos... E a base de tudo: se redescobrir indivíduo!

E pode doer o que for, e com certeza dói. Mas depois da alma lavada em lágrimas e dores, resta aqui um olhar de volta a mim mesma, me obrigando a olhar quem fui, quem sou e quem quero ser. É um exercício diário, minuto a minuto... Eu não me preocupo com ele, com o julgamento, com o acolhimento a ele, nem com as tarefas do dia a dia que eu sustentava em conjunto... Agora sou eu e eu. É a partir de agora que eu me organizo com meus sonhos, meus projetos nessa vida... E reaprender a me dar prioridade... E como ser prioridade de mim estava distante, e eu nem percebia! Foram anos e anos de diluindo em dois, em três... E sair disso assim: só o bagacinho!  E parece tão difícil tirar a essência desse sabor que sou eu e transformar num sabor único! Mas quando a magia acontece... Nossa! Que felicidade! Que leveza! Que satisfação! 

É aqui que estou. 

Mas então sou também um potencial explosivo de mil vontades acumuladas! Mas eu tenho uma criança comigo... Eu não sou mais quem eu era, quem eu achava que ia encontrar nesse retorno a mim mesma... Ser mãe é nunca mais ser a mesma que um dia fui. Preciso ter cautela, driblar minhas vontades, retomar o que tenho de melhor e fazer em conjunto com o que ganhei de experiência nesses anos... E preciso ponderar, pensar quais caminhos valem mais a pena, mesmo não sendo mais casal, sou ainda dois: eu e meu filho. E a ele devo uma responsabilidade além do que me era comum. Eu não posso fazer o que quero na hora que quero, as loucuras são ponderadas, e mesmo a vontade de prosperar deve ser homeopática... Eu preciso ter tempo pra ele, com ele... Tempo de qualidade: conversar, acarinhar, dar banho, comida... Cuidar do nosso lar.

Ser solteira e mãe me permite vivenciar universos quase paralelos, tudo junto ao mesmo tempo: meu lado mãe e meu lado jovem mulher adentrando o que dizem ser os melhores anos femininos: os 30.

É confuso as vezes. Mas é lindo. Eu nunca me sinto sozinha, apesar de solteira. 
E com o modelo de separação surgem momentos rotineiros em que posso estar só comigo, ter meus respiros, meus momentos de concentração no que eu quiser. E isso, como mãe casada é quase uma luta diária... Honestamente, é uma das melhores coisas em deixar de ser casal!

Já tenho alguém a quem cuidar, o que não me deixa espaço pra relacionamentos confusos: meu filho está aqui e é a ele que concentro meus cuidados. Deixo aos outros, que me divirtam, no mínimo... Sem chororôs, por favor! A vida está clara e o riso solto... E assim pretendo ficar!

E nesse meio tempo, aprendo que eu mesma sou prioridade de mim, me reenergizo, movimento pessoas, projetos, sonhos e desejos... Não orbito em torno de uma ideia a dois, eu sigo em frente pra conhecer o mundo que deixei pra trás, no meu ritmo, do meu jeito.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

A segunda experiência

Em torno das quatro semanas e meia o embriãozinho parou de se desenvolver... Em torno das seis semanas (pelos meus cálculos) ou oito semanas (pelo cálculo padrão pela última data da menstruação) eu comecei a sangrar. Houve, quem dissesse que era nidação, e ainda quem dissesse que era ficar em repouso que tudo ficaria bem, a gravidez prosseguiria. Mas ao ver o ultrassom e essa incompatibilidade, eu ja sabia, era aborto.

Ao contrário da outra vez, essa eu pude acompanhar com mais consciência, consegui perceber o que havia acontecido e isso me deixou mais calma com o processo todo. Era uma gestação anembrionada, não havia nada dentro do saco gestacional e ele simplesmente parou ali, em quatro semanas. E, naturalmente o corpo entendeu e mandou pra fora.
Os médicos daqui de Ubatuba são muito mal preparados, ou mal atualizados, ou sei lá o quê. No posto onde estava acompanhando o pré-natal disseram que eu deveria fazer uma curetagem (procedimento cirúrgico para retirar qualquer vestígio de gravidez de dentro do útero, é usada anestesia e um tipo de "raspagem" manual uterina) com urgência, ninguém me deu diagnóstico de nada, ninguém se preocupou em me explicar nada, além do fato de que eu iria com certeza ter uma infecção e perderia meu útero. Precisei de atestado médico, por conta de trabalho, e se recusaram, me deram uma guia para a curetagem apenas. E ainda falaram pro Henrique me convencer a ir, porque eu estava alterada.

No hospital, o médico quis me internar para tomar medicação e repouso. Quando questionei a diferença gestacional e a possibilidade real de ser um aborto, pela análise de ultrassom, ele não me disse nada. Quando questionei o que aconteceria se de fato se concluísse em aborto, ele disse que eu seria levada para a curetagem, e essa era a única opção. 

Como eu já tive outra experiência com aborto, sem curetagem, eu sabia que essa não era a única opção. Questionei, pedi um atestado médico, as medicações que ele disse que eu tomaria no hospital mesmo. Consegui apenas 5 dias para ficar em repouso em casa e fui embora. Em casa realmente fiz repouso e tomei medicação, era o que dava pra ser feito. Ficar internada não era uma opção. Nunca consideraria ficar num lugar estranho, sozinha e sem ter com quem conversar numa situação em que tudo que precisamos é ter calma e sentir acolhimento... E no meu caso ainda ficar preocupada com o Linus, que ficaria triste em casa sem entender nada. Cara, isso não é uma opção, ainda mais sabendo que eles iam me mandar pra sala de cirurgia, de qualquer jeito.

Fiquei em casa, pesquisei muito sobre aborto, sobre curetagem, li relatos, li textos da organização mundial de saúde, li até um livro sobre procedimentos cirúrgicos no sistema reprodutor feminino. E só consigo pensar que os médicos daqui não sabem o que estão fazendo.

Passado dois dias dessa ida ao hospital, meu corpo expeliu o que restava, sem dores, sem dificuldades, um pedaço inteiro do que eu acho que era a placenta. E nessa quarta feira, fiz outro ultrassom e tudo estava de acordo, útero limpo, já em período fértil. E esse é o normal. O corpo feminino está apto a expelir sangue,  coágulos e bebês, em condições saudáveis e naturais e procedimentos cirúrgicos são colocados como primeira opção desconsiderando a nossa natureza. Desconsiderando que todo procedimento cirúrgico traz também muitas reações desagradáveis e consequências que muitas vezes prejudicam o paciente. Por isso só devem ser feitas quando não temos outras opções. 

A curetagem por exemplo coloca a mulher em espera por três meses antes de tentar engravidar novamente, quando num processo natural, a mulher pode engravidar logo em seguida. Em alguns casos a curetagem pode ser mal indicada como em casos de endometrite e só piorar a condição de saúde. Sem contar o peso de uma anestesia, que é uma invenção salvadora, mas convenhamos que não é um procedimento suave e tranquilo... Muito pelo contrário, e se há possibilidade passar sem isso, eu com certeza escolho passar sem isso. Tenho certeza que eu ia ser daquelas pacientes que ia passar muito mal com os efeitos da anestesia e recuperação. Porque, se eu tomar café eu já fico claramente alterada, quem dirá uma anestesia.

É preciso dar um tempo, alguns dias, pro corpo responder, pra tudo voltar aos eixos e, com acompanhamento adequado é possível passar por isso sem traumas a mais, porque perder um filho já é um trauma por si só. No meu caso então, que já estava no meio do caminho pra expelir tudo, não tinha porque acelerar ainda mais o processo. Pelo menos pra mim, não há sentido. Eu sabia que ia dar tudo certo. E deu.

O Linus ficou confuso, ainda não processou o que aconteceu, diz pros amigos que ainda vai crescer um irmão forte na minha barriga, que vai nascer. Isso deixa a gente sem chão... Ele parece querer muito esse irmão. E mesmo vendo o sangue, o embrião, ele ainda não assimilou... E de fato não faz muito sentido, não é o caminho que a gente espera... E ele continua na espera desse bebê.

Sobre passar por abortos de repetição, cada um traz uma experiência diferente, a primeira de sofrimento e incompreensão. Essa de tomar controle de mim mesma diante a postura médica e estudar, entender, me defender. Nem sobrou muito tempo pra lamentar, minha energia foi quase toda a buscar mais e mais informações para fazer o que eu acredito ser melhor pra mim, para a minha família. Não que não tenha sido triste, mas ainda que triste, eu consegui olhar pra tudo isso com mais clareza, e isso tornou o processo mais fácil emocionalmente, comparado ao primeiro.

E também ter essa segunda experiência me fez repensar sobre duas outras menstruações fora de padrão que aconteceram ano passado, me questiono se não foram outros abortos, muito precoces que não identificamos. Eu sinto que sim, apesar de não haver exames clínicos que comprovem.

E agora entramos em um novo momento que eu nunca pensei que fosse passar, ir em busca de conhecimentos sobre a fertilidade de nossos corpos, analisar tudo e controlar meus ciclos dia a dia, fazer exames, essas coisas que a gente nunca pensa que vão acontecer com a gente.

Mas de qualquer forma, penso que podemos ganhar com isso, ganhar mais conhecimento e quanto mais conhecimento sobre nós, diante da medicina, melhor ficaremos pra nos posicionar, nos defender... A impressão é que, em quanto mais médicos passo, mais eu confirmo o quanto eles não são bons em explicar o que acontece com a gente, nem sabem lidar com os questionamentos e com certeza tratam mulheres de maneira desrespeitosa, ao resumir todos os nossos embates e questionamentos como raiva, frustração, nervoso, e qualquer outro sintoma emocional derivado de alterações hormonais. Porque assim parece, mulher doida, vc está frágil porque está na tpm, ou passando por aborto, ou porque está grávida... Ou simplesmente porque mulheres são assim e não vamos discutir com vocês.

Pra que raios uma mulher quer questionar tanto né? 
Só indignação com os médicos. Com a medicina... Mas isso é discussão pra outra hora.


terça-feira, 27 de maio de 2014

Homens são todos iguais... São mesmo?

São todos iguais, ou são todas as mulheres iguais a terem as mesmas péssimas expectativas deles? Ou o extremo oposto, a super bajulação por eles fazerem nada menos do que deveria ser obrigação deles como indivíduo perante a família?

Uma coisa muito comum de ser ouvida como queixa sobre maridos e companheiros é que homens são todos assim... Eles não se preocupam previamente em ter comida na mesa e reclamam já na hora do almoço que não tem comida feita, eles acham que podem ficar dias sem fazer nada em casa porque fizeram uma instalação de armário, arrumaram uma bagunça do quintal ou coisa que o valha. Eles não percebem quando as cuecas estão em falta na gaveta até o fatídico dia em que, após o banho, não tem sequer uma cueca limpa na gaveta e nem no varal, não percebem quando a dispensa está esvaziando e não sacam a criança manhosa porque precisa de atenção, seja por fome, tédio ou sono... E ainda reclama pra mãe ir lá fazer algo a respeito... Homem é tudo assim, precisa chegar do trabalho e dar uma relaxada, enquanto a mãe, que também trabalhou o dia inteiro precisa sair correndo em meio a preparação do jantar pra ir buscar a criança voltar e ainda terminar o jantar - e fazer ainda alguma coisa a respeito da criança manhosa. E claro, se a criança é manhosa, é culpa da mãe.

Essa história é muito, muito comum.

Mas não é exatamente essa coisa de homem é tudo igual que é a verdade... Acho que a verdade é que as mulheres permitem essa posição machista, os homens são acomodados por serem criados pelas famílias dessa forma ( porque convenhamos que homens adultos de hoje dificilmente foram criados muito diferentemente, os pais eram exatamente esse modelo de pai que acha que ir trabalhar fora basta, e aceito pelas mães). É um hábito rançoso e mal resolvido.

É preciso um bom senso, uma vergonha na cara desses homens de ver que isso não é bem assim. E coragem das mulheres de bater de frente sobre essa questão.

Não é justo uma família ser concebida conjuntamente e depois tudo pender pra um lado só. São dois adultos com capacidades iguais de trabalhar e pensar juntos a rotina que é dos dois. E não só rotina, mas valores, responsabilidades e alegrias também.

Se você, mulher, parar para listar todas as atividades que você faz, e todas que o seu companheiro faz, provavelmente vai ver que você tem muito mais responsabilidades e trabalho do que seu companheiro e vai ver também que ele possui mais tempo de recreação para si mesmo do que você. E se vocês tem filhos, não precisa nem lista, você sabe que o que eu digo é um fato. Salvo raras excessões.

Uma coisa que eu acho que pode ser feita em qualquer família é listar tudo que é feito na rotina de vocês e alternar quem faz o que. É importante, como cuidado próprio, como decência humana, você saber se virar sozinho, saber cozinhar, manter alguma higiene na casa, saber lavar a própria roupa, minimamente. Muitos homens não lavam roupas ou fazem comida, mas é preciso deixar que eles façam, nem que seja a força, pra eles valorizarem o que eles tem em casa, na vida... Mas principalmente pela esperança de brotar ali, uma sementinha de satisfação própria em ir construindo em si um ser independente e pró ativo com sua própria vida... Porque sério, a casa é dos dois, a comida é dos dois, tudo e compartilhado, então as tarefas, com seus lados bons e ruins, deve ser dividida. Cozinhar pode ser uma descoberta prazerosa pra quem nunca sequer tentou cozinhar, por exemplo.

Permitam que as funções mudem, que o companheiro seja companheiro de verdade e cobre por isso. Quando vocês decidiram se unir como família, como pai e mãe, decidiram juntos. Então caminhem juntos, pelo bem dos dois, para que os dois se valorizem mutuamente!

E para os pais, preciso dizer, a única coisa que você não pode fazer pelo seu filho é amamentar. De resto você é capaz de tudo, então se vire e faça tanto quanto sua mulher. Dê banho, leve a escola, faça a comida dos pequenos com antecedência, lave as roupinhas, troque as fraldas, verifique se falta alguma coisa pra comprar, brinque, leia historinhas, coloque pra dormir, leve ao médico, vá à reunião da escola! E se sua mulher ajeita a mesa pra você comer, tomar café que seja. Faça por ela tambem. Se você não o faz, tá faltando vergonha na cara. E não me venha com essa história de que trabalha fora... Alguma hora livre existe, tenho certeza.

E, se você homem, faz tudo isso, que bom, você faz o que é sua responsabilidade também! Mas não merece nenhum parabéns por isso, só no dia em que todas as mulheres receberem por fazerem tudo que elas fazem diariamente.