terça-feira, 27 de maio de 2014

Homens são todos iguais... São mesmo?

São todos iguais, ou são todas as mulheres iguais a terem as mesmas péssimas expectativas deles? Ou o extremo oposto, a super bajulação por eles fazerem nada menos do que deveria ser obrigação deles como indivíduo perante a família?

Uma coisa muito comum de ser ouvida como queixa sobre maridos e companheiros é que homens são todos assim... Eles não se preocupam previamente em ter comida na mesa e reclamam já na hora do almoço que não tem comida feita, eles acham que podem ficar dias sem fazer nada em casa porque fizeram uma instalação de armário, arrumaram uma bagunça do quintal ou coisa que o valha. Eles não percebem quando as cuecas estão em falta na gaveta até o fatídico dia em que, após o banho, não tem sequer uma cueca limpa na gaveta e nem no varal, não percebem quando a dispensa está esvaziando e não sacam a criança manhosa porque precisa de atenção, seja por fome, tédio ou sono... E ainda reclama pra mãe ir lá fazer algo a respeito... Homem é tudo assim, precisa chegar do trabalho e dar uma relaxada, enquanto a mãe, que também trabalhou o dia inteiro precisa sair correndo em meio a preparação do jantar pra ir buscar a criança voltar e ainda terminar o jantar - e fazer ainda alguma coisa a respeito da criança manhosa. E claro, se a criança é manhosa, é culpa da mãe.

Essa história é muito, muito comum.

Mas não é exatamente essa coisa de homem é tudo igual que é a verdade... Acho que a verdade é que as mulheres permitem essa posição machista, os homens são acomodados por serem criados pelas famílias dessa forma ( porque convenhamos que homens adultos de hoje dificilmente foram criados muito diferentemente, os pais eram exatamente esse modelo de pai que acha que ir trabalhar fora basta, e aceito pelas mães). É um hábito rançoso e mal resolvido.

É preciso um bom senso, uma vergonha na cara desses homens de ver que isso não é bem assim. E coragem das mulheres de bater de frente sobre essa questão.

Não é justo uma família ser concebida conjuntamente e depois tudo pender pra um lado só. São dois adultos com capacidades iguais de trabalhar e pensar juntos a rotina que é dos dois. E não só rotina, mas valores, responsabilidades e alegrias também.

Se você, mulher, parar para listar todas as atividades que você faz, e todas que o seu companheiro faz, provavelmente vai ver que você tem muito mais responsabilidades e trabalho do que seu companheiro e vai ver também que ele possui mais tempo de recreação para si mesmo do que você. E se vocês tem filhos, não precisa nem lista, você sabe que o que eu digo é um fato. Salvo raras excessões.

Uma coisa que eu acho que pode ser feita em qualquer família é listar tudo que é feito na rotina de vocês e alternar quem faz o que. É importante, como cuidado próprio, como decência humana, você saber se virar sozinho, saber cozinhar, manter alguma higiene na casa, saber lavar a própria roupa, minimamente. Muitos homens não lavam roupas ou fazem comida, mas é preciso deixar que eles façam, nem que seja a força, pra eles valorizarem o que eles tem em casa, na vida... Mas principalmente pela esperança de brotar ali, uma sementinha de satisfação própria em ir construindo em si um ser independente e pró ativo com sua própria vida... Porque sério, a casa é dos dois, a comida é dos dois, tudo e compartilhado, então as tarefas, com seus lados bons e ruins, deve ser dividida. Cozinhar pode ser uma descoberta prazerosa pra quem nunca sequer tentou cozinhar, por exemplo.

Permitam que as funções mudem, que o companheiro seja companheiro de verdade e cobre por isso. Quando vocês decidiram se unir como família, como pai e mãe, decidiram juntos. Então caminhem juntos, pelo bem dos dois, para que os dois se valorizem mutuamente!

E para os pais, preciso dizer, a única coisa que você não pode fazer pelo seu filho é amamentar. De resto você é capaz de tudo, então se vire e faça tanto quanto sua mulher. Dê banho, leve a escola, faça a comida dos pequenos com antecedência, lave as roupinhas, troque as fraldas, verifique se falta alguma coisa pra comprar, brinque, leia historinhas, coloque pra dormir, leve ao médico, vá à reunião da escola! E se sua mulher ajeita a mesa pra você comer, tomar café que seja. Faça por ela tambem. Se você não o faz, tá faltando vergonha na cara. E não me venha com essa história de que trabalha fora... Alguma hora livre existe, tenho certeza.

E, se você homem, faz tudo isso, que bom, você faz o que é sua responsabilidade também! Mas não merece nenhum parabéns por isso, só no dia em que todas as mulheres receberem por fazerem tudo que elas fazem diariamente.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

A DPP era 9 de maio

Pra quem não sabe, DPP significa data provável de parto.

Ano passado, em setembro, descobri que estava grávida. Era uma gravidez planejada, diferente da primeira, que foi muito querida, mas foi sem programação alguma.

Como eu já sabia mais sobre maternidade e parto, eu já sabia onde faria o pré-natal, onde ele nasceria, se tudo corresse bem. Escolhemos a Casa Ângela, que é uma casa de parto muito bacana na zona sul de SP. Mas para começar tudo lá, era necessário fazer uma visita para apresentação, e marcamos para o último sábado do mês, que era a data mais próxima que poderíamos ir nós 3, eu, Henrique e Linus. Então, no dia 28 (meu aniversário inclusive) fomos lá visitar e gostamos ainda mais do lugar e logo menos eu começaria o pré-natal.

Na semana seguinte, fiquei ocupada com o aniversário do Linus, que seria no sábado seguinte, sem contar os encaminhamentos finais do meu TCC  e trabalhos finais na faculdade. E acabei adiando um pouco mais o início do pré-natal, por isso e por ainda estarmos decidindo como iríamos pagar as consultas e tal.

No sábado, comecei a ter um sangramento, como sabia que era algo comum nas gestações e muitas vezes não significa nada grave, resolvi não alarmar ninguém sobre isso e não fui ao hospital no mesmo dia, decidi que iria no dia seguinte assim que acordasse, afinal era a festa de aniversário do pequeno e muita gente nem sabia que eu estava grávida também.

Na manhã seguinte, já estava nos planos ir ao hospital, e na minha primeira mexida na cama, desceu uma enxurrada de sangue, fui correndo ao hospital, levei o café da manhã na mochila e lá demorei a ser atendida, era troca de turno dos médicos. Quando fui atendida, a médica me examinou e logo disse: seu colo do útero está aberto, você vai fazer um ultrassom para ver se precisa de curetagem. Puf! Meu mundo caiu por alguns instantes... Liguei pra casa, avisei o Henrique e ele logo veio com o Linus. Houve uma confusão no hospital, não estavam deixando eles entrarem, mas no fim das contas conseguirmos nos encontrar e lá longe e eu vi o Linus me chamando em lágrimas na recepção:

-Mãe! Mãe! Cadê o bebê?

Nos abraçamos, choramos... Falei que eu não sabia, que ele tinha virado sangue. (E por muitos meses ele falava do bebê sempre que eu menstruava). Fiz o ultrassom, não havia mais vidinha, a vidinha que eu nem cheguei a escutar o coraçãozinho uma vez sequer.

Foi um dia, uma semana, um mês muito difícil.

O Linus chegou a ter febre, ficamos tristes.

Eu sangrei do dia 05/10 até o dia 16/11 quase que ininterruptamente, foram 31 dias com algumas pausas de poucos dias. Nesse meio tempo tive 2 amidalites, dismenorréia, muita febre e muita dor pelo corpo, principalmente nos ossos, passei dias de cama e ao mesmo tempo preocupada com as minhas faltas na faculdade, afinal, eu estava mal, mas não para um médico me dar um atestado de 15 dias. Quando parei de sangrar meu corpo respondeu ao processo com um corrimento desgraçado, que parecia que eu estava em carne viva, precisei ficar de cama porque andar doía... Encarei uma dieta com zero carboidratos, que me ajudou no corrimento e assim que fiquei melhor, voltei as aulas. Nesse dia, senti calafrios, tremedeira, tontura, dor de cabeça e mais um monte de coisas estranhas que já não lembro mais, e lá estava eu, voltando pra casa da faculdade, com o menino no carrinho, mochila, e toda a tralha que eu levava sempre, no metrô barra funda, sozinha. Foi bem ruim e era a falta de carboidratos! Comi um pãozinho que tinha levado para o Linus e segurei a onda. Deixei o menino na escola e consegui chegar em casa. Fim da dieta, marquei consulta na nutricionista e na microfisioterapia.

E a vida continuava.

TCC, faculdade, fim de semestre, entrega de trabalhos, não poder faltar pra não bombar por faltas, com o menino junto, todo dia.

Não conseguia falar com meu orientador, que lá pelo fim também ficou internado por alguma infecção, houve falta de compromisso de um professor convidado para a banca, incompatibilidade de datas, já que as minhas eram restritas ao sábados... Todo problema que poderia haver, houve, quase troquei de orientador dias antes da defesa. E nessas idas e vindas pra resolver isso fui me sentindo muito cansada. No fim, consegui apresentar e finalizar o semestre.

Os planos de ter mais filhos ficou pra depois.

O plano agora era mudar de casa, pra Ubatuba, o Henrique foi e voltou várias vezes, nos ocupamos de empacotar coisas em casa, de tentar achar nova moradia antes de vencer nosso contrato vigente... Mais correria e mais correria. E mais histórias bizarras pra contar desse envento... Que ano difícil, mas conseguimos nos mudar logo no início de fevereiro.

Eu não contei pra muita gente que fiquei grávida, e tampouco sobre a perda do bebê, muita gente cruzou comigo sem saber o que estava acontecendo. Pra todo mundo eu estava igual a sempre, acho.

Mas decidi compartilhar, porque muita gente passa por abortos e é bem difícil lidar com isso, mais difícil ainda quando se tem outros pequenos em casa. Pelas minhas pesquisas, dscobri que cerca de 30% dos óvulos fecundados acabam em aborto muito cedo, muitas vezes até confundidos com menstruação. E é um assunto tão guardado, as vezes a gente só queria ter alguém pra dividir o peso, pra dizer que já viveu isso, que passa, que a vida segue. Que fosse sincero, e não mais uma conversa pronta. 

A sensação de falta de controle pra mim foi devastadora, eu achava que eu era muito boa em gestar e parir, visto pela minha expêriência com o Linus... Mas a vida no útero é ao mesmo tempo frágil e forte. E nós, mães, não podemos fazer muito a respeito. Se por algum motivo, não era pra eles ficarem com a gente, eles não ficam. E não há justificativa científica que possa confortar. O negócio é aceitar e esperar passar. Qualquer justificativa é uma idéia vaga do que pode ter acontecido, e os porquês nunca tem resposta.

E hoje de manhã, nessa data, depois de tanta coisa, tantos altos e baixos, fiz um teste de gravidez e deu positivo. Justo hoje, na DPP do outro beibe.

Não sinto a emoção que senti em nenhuma das descobertas anteriores, eu sinto a presença de uma vidinha, com menos de um mês já tenho até barriga. Mas parece estranho me alegrar com algo que pode acabar em um monte de sangue novamente. É quase como se não fosse, pelo medo de perder. Como se isso só fosse se tornar real depois do parto.




terça-feira, 11 de março de 2014

Mudando de casa mais uma vez.




O Linus tem quase 3 anos e meio e essa já é a terceira casa que ele mora. Ele nasceu em um apartamento em São Paulo, depois, pouco antes de ele completar um ano de vida, nos mudamos pra uma casa em São Paulo também e agora, na verdade mês passado, nos mudamos pra uma casa em Ubatuba.

Sempre conversamos sobre morar fora de São Paulo e por diversos motivos, decidimos vir pro litoral. No trabalho, o Henrique vinha conversando sobre trabalhar em casa havia um bom tempo e isso finalmente aconteceu e assim que conseguimos, nos mudamos. Foi trabalhoso e cansativo, muitas idas e voltar entre SP e Ubatuba pra escolher a casa, e tudo mais. E tudo de ônibus... Eu ficava em casa com o Linus e o Henrique ia, na maioria das vezes... E essas vezes foram boas pra ele já ir se situando na cidade que a gente ainda nem conhecia.

Com a ajuda de amigos e do meu irmão, nos mudamos... Pela primeira vez contratamos uma transportadora que empacotou boa parte das nossas coisas (eu indico muito esse serviço pra quem vai se mudar, empacotar o que não é de uso diário é ok, mas empacotar o que se usa todo dia na véspera da mudança com uma criança é pedir pra ficar louca). Rolou um problema na entrega pois o caminhão não pode passar por um determinado pedaço da estrada, mas lá pelas 1h da madrugada tudo estava na casa nova, finalmente. E foi muito cansativo...

Mas sobre as coisas boas: nos sentimos em casa desde o começo, quanto mais conhecemos a cidade, mas gostamos de morar aqui. Pela primeira vez, andar de bicicleta se tornou um hábito, aqui o meio de transporte das pessoas é a bicicleta, sem dúvidas.

Conseguimos organizar a casa de um jeito agradável, onde os quadros nossos e que ganhamos de amigos pudessem ser vistos, já que na casa anterior isso era meio complicado. Os ambientes tem espaço suficiente pra caber cada coisa no seu lugar! Nada mais em lugares estranhos! 

O Linus ganhou um quarto decorado por nós, com as cores que ele pediu, com ondas e tudo mais... E ele também fez uma pintura na parede, com guache... Tudo bem que ficou quase tudo da mesma cor, mas foi bem legal ver ele pintando, melecando a mão inteira na parede! Ele também ganhou uma casa de papelão que fiz com as caixas da mudança... Que eu ainda preciso terminar...




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E até que ele se adaptou bem, nas outras mudanças foi diferente porque ele ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo, pra ele eu estar do lado bastava pra ele se sentir em casa, agora um menino, ele já tem outra noção das coisas. Nós havíamos conversado com ele sobre a mudança muito antes, falamos que íamos morar perto da praia e assim que ele chegou na casa, já veio avisando que não tinha areia, que não era casa da praia... E como tudo demorou pra chegar, ele só foi ver a casa com móveis no dia seguinte ( sorte que nosso amigo Gustavo trouxe um colchonete, que foi onde o Linus dormiu).

Ao longo da semana, ele comentou sobre ir embora pra outra casa, mas nada demais. O que eu mais percebi de mudança foram os xixis no chão. Ele, que nunca errava começou a fazer xixi várias vezes no chão... Acho que também tem a ver com a falta de atenção da nossa parte, visto que passávamos muito tempo colocando a casa em ordem e deixávamos ele meio de lado... Mas ele já parou, inclusive agora, se estiver sem cueca ( o que acontece bastante porque aqui é muito quente), ele senta sozinho no vaso sanitário (sentado ao contrário) e faz sozinho...

Uma mudança legal que aconteceu foi a relação dele com a praia... Ele sempre teve muito nojinho da areia (como eu!) e muito medo do mar. Agora como vamos a praia pelo menos uma vez por semana, ele já perdeu muito do nojinho e agora vai entrando no mar sem medo nenhum... Aliás ele fica eufórico de tanta alegria!

Nossas gatas se adaptaram bem, soltamos elas no mesmo dia e elas ficaram por perto... Ficaram com uns tiques de querer arranhar os que nunca arranharam antes, mas nada sério. O mais chato é que uma delas decidiu fazer cocô no chão... E não pára de fazer isso nunca, mas essa gata sempre teve hábitos bizarros em relação a isso.

A mudança maior é ter o Henrique por perto sempre que, por mais que esteja trabalhando, tem o horário mais flexível e podemos fazer mais coisas juntos, ou revezarmos em algumas tarefas. De qualquer maneira, ter companhia em casa é sempre legal, pra mim e pro Linus.

Falando em companhia, ainda não fizemos amizades por aqui... Nem nós, nem o Linus. Tentamos matriculá-lo na escola pública, mas tem fila de espera e a particular que gostamos é muito cara pra pagarmos agora nesse momento de transição. Mas assim que eu conseguir um trabalho, ou a porto seguro devolver nosso dinheiro (do seguro fiança da outra casa) isso muda.


Num geral acho que essa foi a mudança mais legal que fizemos... E acho que tem sido legal pro Linus também. 

:)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Uma transição, um pezinho meninão, um pezinho bebezão.

Linus tem 3 anos e 3 meses agora. E já tem uma independência de menino maior.

Outro dia comi um mamão que não tava lá muito bom e fiquei passando mal, vomitei até não ter mais nada e diarréia idem, fiquei jogada na cama incapaz de fazer qualquer coisa e estávamos só nos 2 em casa. De manhã, ele pegou alguma coisa pra comer, liguei a TV e larguei o menino, eu mesma mal consegui sair da cama, nem as janelas abri, não fiz nada mesmo. Até que liguei pro Henrique voltar pra casa porque não tava dando não. Enfim, nisso o menino fez xixi sozinho no penico sem nem me chamar... respeitou meu repouso e se comportou muito bem. Quando foi chegando a hora do almoço ele veio falar comigo que queria suco e eu não falei nada pra ele, nisso, ele lembrou do suco que eu tinha feito na noite anterior e que sobrou e ele mesmo foi na cozinha, abriu a geladeira, pegou o suco, fechou a geladeira,  abriu o copo  e tomou (isso tudo eu estava escutando de longe). Depois ele voltou lá e trouxe bananas e comeu do meu lado.

E esse mesmo menino que parece não precisar mais de mim, tem momentos de chorar como um bebezinho, por qualquer coisa, porque quer colo, porque está com saudade de mamar. Deita como um bebezinho no meu colo e diz que não é grande, que é pequenininho. Ainda quer que eu dê comida na boca dele, de manhã, as vezes faz a maior cena porque quer que eu segure o pão pra ele comer. Diz que tem medo de alguma coisa só pra eu dar a mão, diz que está com saudade de mim o tempo inteiro. E me chama de mamãe passarinho (de verde e de amarelo).

Outro dia eu estava acompanhando ele no banheiro e sentei do lado do vaso sanitário e ele começou a mexer no meu cabelo... e ele começou a falar: é tãããão liiindo, é tãããão liiindo o seu cabelo... - e depois arrumou meu cabelo pra trás e me deu um beijo na testa: você é tããão boniiita. Saiu do vaso, limpamos e ele sentou do meu lado, falou que eu tinha que falar que eu era bonita e cada um de nós falamos: eu são tão bonita/ eu sou tão bonito.

Ele também tem momentos em que quer fazer tudo sozinho, ele coloca os ingredientes, ele mistura, ele mede, ele lava, ele  monta, ele conserta e ai de quem atrapalhar os planos dele. E também tem o extremo oposto, que não quer fazer nada.

Ele ainda tira a soneca da tarde e continua brigando pra não dormir... e se não dorme fica enjoado pra tudo, vê problema em tudo, se a água não está no nível certo e temperatura certa é uma das coisas mais comuns que ele implica quando está com sono e é disso pra pior, coisas que a gente realmente não consegue compreender e que esgota a nossa paciência.

As conversas tem ficado cada vez melhores, ele já sabe recontar uma história com alguma lógica, fala coisas com muita clareza do que está falando e argumenta bem. Quando tem alguma comida no prato que ele não quer, ele diz que não é boa pra ele e que é boa pra mim... e fala pra eu comer rs. E não entende quando eu digo que ele é um palhaço, fica bravo e diz que não é palhaço, que o Linus.

E ele já deixa eu cortar as unhas dele quietinho, pra mim isso é uma grande evolução! rs

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O desfralde!

Confesso que isso era um dos desafios que eu achava que teria mais dificuldade na maternidade, eu realmente não estava a fim de ficar limpando xixi e cocô de criança pela casa, ainda mais nessa casa que moro agora, que dificulta tudo, quem já veio aqui em casa, sabe... água que cai em cima, vaza pelo chão e cai lá embaixo... piso de madeira que na real é o teto lá de baixo.

Por conta disso eu nunca me apressei nem só em idéia nesse processo... afinal, me desanimava só pensar a respeito.

Nós até já tínhamos comprado penico e adaptador, mas ele usava de chapéu, até sentava, mas era só brincadeira, e ficou assim por um ano mais ou menos. E ele também sempre nos viu indo ao banheiro mas não parecia fazer questão de imitar a gente.

Daí que esse ano, algumas vezes ele fez cocô no penico por iniciativa própria, pois queria fazer no meio do banho e não queria continuar o banho no caldo de cocô e ele acabou fazendo no penico sem nenhum estresse. Mesmo assim eu não engatei o desfralde...

O que aconteceu esse ano também é, que por ele estar me acompanhando na faculdade, nós passávamos muito tempo fora de casa, então isso era um empecilho pra começar um desfralde, e eu já começava a pensar num desfralde pra essas férias, afinal, o menino completou 3 anos em outubro e 3 anos é uma idade boa pra isso.

Chegou novembro e a professora dele comentou que outros coleguinhas estavam desfraldando e perguntou se eu queria começar, daí, assim que eu entrei de férias (que eu até antecipei uma semana por conta própria), começamos o desfralde, na última semana de novembro.

No primeiro dia, ele errou 3 vezes em casa e mais uma na escola. Ele não ligou de usar a cueca, mas também não avisava e ainda dizia que era mais fácil na fralda.

No segundo dia, eu me empolguei pra fazer uma tabelinha, pra ele preencher com adesivos e a história mudou!

A foto tá ruim, mas essa é a tabela (hoje toda cheia de adesivos)

A idéia era que ele ganhasse um adesivo pra cada acerto de cocô ou xixi, e no final, faríamos um passeio pro zoológico. Quando contei pra ele, ele ficou encantado com os adesivos e não deu a mínima pro passeio... disse que a gente já tinha ido e não era pra ir (e até agora não quer ir, vai entender).

No dia seguinte, ele já parou de fazer xixi no chão. Ele queria ficar sentado no penico por muuuito tempo, tipo 30 minutos pra mais, até conseguir, pra ir lá ganhar o adesivo, fazíamos muita festa e ele colava o adesivo.

Na escola ele fez no chão de novo, mas acho que era muita pressão na escola, todos indo juntos, sem distrações, num assento maior.

No outro dia ele continuou fazendo no penico em casa, ainda ficando bastante tempo e na escola ele segurou até eu chegar na escola, pra ele fazer comigo do lado, no banheiro da escola mesmo, Deu tudo certo nesse dia.

O dia seguinte era um sábado e ele ficou com o pai o dia todo pra eu fazer um curso. Ele fez xixi no chão duas vezes.

E daí pra frente ele engatou de vez, já era férias da escola e começou a ficar o tempo todo comigo. Começou a avisar certinho tanto pra xixi quanto pra cocô e sem muita demora. Agora é sentar e fazer, rapidinho.

Outra coisa legal é que ele consegue segurar um pouco até chegar ao banheiro. Já saímos com ele e ele agüenta segurar até chegar no banheiro e até viajamos com ele pra praia e ele segurou a viagem toda. Não teve nenhum problema com o controle do xixi e cocô, aliás, as vezes, ele segura até demais... todo dia de manhã ele vai fazer o primeiro xixi lá pelas 10h. Isso porque o último que ele fez foi no dia anterior... lá pelas 19h.

E sobre desfralde noturno? Bom, no início eu fiquei com medo de xixi na cama... mas ele mesmo não queria colocar a fralda, colocamos por 2 dias e nunca mais, e até agora não rolou nenhum na cama.

Acho que foi um sucesso!

Fazendo as contas:

Eu limpei 3 xixis
O pai limpou 2 xixis
E a faxineira da escola limpou mais 2.

E foi só isso!

Ah! Legal também que ele não se abala de ir do penico, pro vaso sanitário, nem mesmo sem redutor, fora de casa dando apoio com as mãos, ele vai que vai.

Fico muito feliz e aliviada que foi tranquilo!

Melhor coisa mesmo é esperar!

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Linus e seus 3 anos.



O Linus completou 3 anos dia 5 de outubro! Êêêêêê!

Estou achando uma lindeza essa idade porque, apesar dos pesares, ele tem falado cada vez mais, criado cada vez mais pensamentos mais complexos, juntados pedaços de idéias e construindo um discurso muito particular dele e eu acho tudo incrível.

E nesse último ano muita coisa aconteceu! Quando eu acho que as mudanças vão diminuindo, vem ele e me surpreende de novo! Por isso é tão legal acompanhar de perto o crescimento dos pequenos.

Hoje em dia ele já sabe falar se tem fome, se tem sede, o que quer comer ou beber, já sabe onde as coisas ficam guardadas, já sabe o que tem dentro da geladeira... pede pra fazer as coisas que ele quer e algumas ele mesmo sempre faz questão de ajudar a fazer.

Por exemplo, hoje de manhã não tinha pão feito (aqui em casa fazemos pão caseiro graças a nossa querida máquina de fazer pão) e falei que íamos assar pão de queijo. Ele que estava acordando ainda, abriu o armário, pegou o pote que eu costumo usar quando faço pão de queijo caseiro, e já começou toda uma movimentação de quem ia começar a preparar uma receita... daí eu mostrei que estava congelado e ele já foi escolhendo a forma que ia ser usada, esperou eu untar e foi arrumando os pãezinhos... quis colocar a forma no forno, parte que é mais chata porque mesmo que eu fale que é quente e queima, ele quer fazer tudo... tem que dar uma contornada, falar pra ele me passar a forma, que eu coloco lá dentro e mesmo assim ele não fica satisfeito. E seguindo o café da manhã comendo outras coisas, ele lembra sempre de perguntar se está pronto.

Ele sempre gosta de fazer o suco de limão, naqueles espremedores... enfim, tem várias coisas que ele já quer fazer e insiste em fazer sozinho, muitas vezes fala bem sério pra gente: eu que vou fazer, você não vai!

Mas também, tem os momentos opostos, em que ele não quer fazer nada, quer que eu dê o chá na boca dele, que eu segure o pão pra ele comer, que eu leve no colo e várias outras coisas que eu nem lembro!

Ele está falando muito melhor, ainda enrola em algumas palavras, mas já dá pra entender e ao mesmo tempo fala de um jeito muito fofo! Sem contar as frases e o jeito que ele solta elas!

Ele também entrou na fase de definir o que é dele e o que é dos outros, pra ele o ideal é que cada um tenha o seu, caso não dê pra ser assim, ele insiste que as coisas são dele... e ele não diz "é meu, é minha", ele diz "é de mim".

Inclusive, várias vezes ele pergunta: alguém pega aquela alguma coisa de mim?

Aí fica meio difícil, mas é muito fofo.

Outra coisa sem pé nem cabeça que ele fala é ficar discursando, narrando fatos que ele viu em outro momento ou em um desenho, como se estivesse acontecendo realmente naquela hora... daí do nada ele diz: óia mãe, a mãe dela tem uma blusa azul e ela virou um urso!

A gente só ri... porque não tem nem muito o que falar!

Às vezes, quando ele não quer que a gente fale com ele, porque ele não quer falar sobre um assunto, ele  começa a cantar lálálálá ou manda: pára de falar comigo. Super cheio de não me toque, fala com a minha mão! Imagina com 15 anos, tomara que até lá a gente consiga melhorar essa comunicação! haha

Uma coisa que melhorou na comunicação, é que agora conseguimos fazer acordos com ele, por exemplo, ele fica mais 10 segundos no banho e depois disso ele sai, daí eu conto até 10 e ele entende que é hora de sair. Ou assiste o desenho até acabar o episódio e depois desligamos a televisão.... e por aí vai.

Em relação a coordenação dele, ele já é muito mais seguro, consegue fazer coisas como organizar brinquedos pequenos de maneira muito controlada, consegue pintar dentro das formas, preencher todos os espaços, mesmo que borrando tudo... ano passado ele não fazia nada disso. Ele já sobre sozinho em todos os brinquedos do parquinho, vai até o último andar do trepa trepa... consegue carregar a mochila da escola nas costas, sabe calçar os sapatos sozinho, apesar de quase sempre preferir que façamos isso pra ele. Já sabe tirar toda a roupa mas também prefere que façamos por ele.

Ele já sabe contar alguns números e sabe diferencias números de letras, mesmo que sem saber o nomes certinho. Ele voltou a ler livrinhos antes de dormir, e esse tem sido um momento dele e do pai, que é bem legal, já que eles passam pouco tempo juntos no fim das contas.

Falando em hora de dormir, ele ainda acorda a noite de vez em quando, mas é bem raro... ultimamente tem acordado falante, falando pelos cotovelos, e quer sair do quarto com tudo na mesa pra ele comer.

Na real, comer mesmo, ele curte só o café da manhã... as refeições de comida mesmo ele não gosta e tem sido bem enjoadinho pra comer, não aceita muitas coisas e mesmo essas ele come pouco. Experimentou algumas coisas novas que ele nunca tinha aceitado antes, como queijo branco, paçoquinha e castanha do pará!

Na escola, ele já tem a panelinha dele, convidou 4 amigos pro aniversário, deixou bem claro quem ele queria na festa dele e quem ele não queria. No fim das contas veio só uma amiguinha, mas deu pra ver como eles se davam bem, se abraçaram, tiraram foto sorrindo juntos, era nítido que eles ficavam a vontade um com o outro.

Esse ano, ele ficou bem ansioso com a festinha, por meses ele perguntava quando ia ser a festa dele, acho que por conta de acompanhar as comemorações na escola... quando foi a festa dele, ele pediu chapéuzinho e bolo de chocolate. Cantou parabéns e bateu palmas, assoprou as velinhas e quis ajudar a cortar e distruibuir o bolo. Foi muito amor!

Acho que essas são as coisas mais importantes dessa fase!

Estamos gostando muito :)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Pensamentos sobre a vida dentro e fora da cidade grande

Eu estava agora lendo um texto que falava na questão de como alguns assuntos se tornam tão complicados para serem conversados com os filhos: morte e nascimento são os assuntos que parecem mais assustar os pais.

Fiquei pensando se quem mora numa fazenda tem as mesmas questões, ou se essas questões tem o mesmo peso.

Pensa comigo, uma criança que cresce num lugar onde ela convive com animais, com certeza vai acompanhar todas as fases de desenvolvimento dos bichos. Vai ver ovo virando pinto, virando frango, virando galo ou galinha... vai ver eles cruzando, um em cima do outro com movimentos estranhos e tudo mais e vai ver o ciclo continuar... vai ver o ovo sair da cloaca e assim vai. E vai pegar esse ovo, que ele sabe que pode vir a ser um pinto... mas vai comer, porque sabe que é comida, que faz parte da vida comer, assim como vai ver algum outro bicho invadindo o galinheiro pra roubar ovos.

Vai ver os pais matando o frango desde pequeno, vai ser normal pra ele conviver com o nascimento e morte. E não só dos animais que criam, mas de todos que circulam por lá... minhocas, insetos, pássaros, ratos. Vai ser normal lidar com corpos mortos, enterrar, ver aquilo se tornar alimento pra outro animal ou voltar a virar terra.

Vai ver animais mais próximos se procriando, vai ver um bezerro nascer no tempo dele e indo mamar, de um jeito natural e longe de aparelhos médicos, sem a idéia de tortura que existe hoje em dia em relação ao parto.

Também vai ver outros jeitos de nascer, de sapos, de peixes, de insetos...

Eu honestamente acho muito rica essa vivência que a cidade não tem. Queria ter vivenciado isso, até hoje tenho vontade e estou em busca disso. Acho digno conseguir lidar com toda a vida que envolve e a minha, se como o que como, sinto desejo de vivenciar todo o processo, seja vegetariano ou não. Quero ver a semente virar verdura, assim como quero ser capaz de cuidar da minha galinha e meus ovos, dos peixes e tripas. Quero poder aproveitar tudo e fazer do descarte um reaproveitamento de energia, quero me sentir parte da natureza, interferindo de maneira a não deixar lixo, não estragar o equilíbrio das coisas.

Não acho que a cidade seja ruim também... pra quem vive na cidade, temos muitos benefícios também, prezo muitos deles. Mas os nossos de pessoas da cidade geram tanto lixo que ultimamente tenho me sentido meio mal de pensar a respeito.

Viajei e perdi o fio da meada....

E já é hora de pegar o menino na escola.